sábado, 29 de dezembro de 2018

E o sistema Safe Action?



O sistema Safe Action da Glock oferece níveis de confiança capazes de excluir uma 2° trava de segurança externa (a 1° e única trava externa está no gatilho). A arma pode ser portada em segurança com um cartucho na câmara. Se o policial precisar usá-la, basta sacar, apontar e pressionar o gatilho. Com o colocação correta do dedo no gatilho, a 1° trava é desarmada naturalmente. Não é preciso "parar" pra liberar uma trava externa no ferrolho.

Numa atividade aonde cada segundo conta e as habilidades motoras se deterioram com rapidez, exigir tal destreza é criar outro grau de risco pro policial. Logo após a decisão de atirar, ele precisa pressionar a trava externa do ferrolho durante o saque e a apresentação, no máximo, sem que isso PREJUDIQUE A EMPUNHADURA.

Se ele terminar a apresentação sem ter destravado a arma, o tempo até o disparo irá aumentar. Se ele esquecer da trava, não vai conseguir atirar, obviamente. O caos vai se instalar e o resultado será previsível.

Contudo, parece mais simples alterar um projeto consagrado do que investir no APERFEIÇOAMENTO CONSTANTE do policial.

Travas externas podem ser uma questão de preferência pessoal, mas servem mais pra iniciantes com pouco controle das regras de segurança e do manejo da arma.

Se o objetivo é evitar disparos acidentais, basta seguir 3 regras: manter o dedo fora do gatilho, se não for atirar; não apontar a arma pra algo que não queira destruir e manter o treinamento e a competência no uso da arma sempre em dia. "Ah...mas essa foi uma requisição do Exercício Americano!" Mas os militares usam fuzis com arma primária. E eles não perdem 350 integrantes todos os anos como nós!

Vale lembrar que a única trava do velho revólver sempre foi o dedo indicador.

Humberto Wendling é Agente Especial, Professor de Armamento e Tiro da Polícia Federal e autor dos livros Autodefesa contra o crime e a violência – um guia para civis e policiais e Sobrevivência Policial – morrer não faz parte do plano.
E-mail: humberto.wendling@gmail.com
Blog: www.comunidadepolicial.blogspot.com
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Você foi ferido. E agora?



Durante o curso de Multiplicadores em Sobrevivência Policial da Academia Nacional de Polícia, ouvi o relato de um colega que se salvou ao improvisar um torniquete com a camisa. A artéria tibial posterior ou a artéria poplítea (não me lembro) foi quase rompida após um disparo acidental com um revólver Snub .38. Não havia tempo para dirigir até o hospital e os curiosos não ajudaram. Coube apenas ao colega a inteira responsabilidade para continuar vivo.

No curso, os alunos vivenciaram cenários nos quais o pronto socorrismo era uma necessidade. Na minha vez, o professor perguntou: "Humberto, você foi ferido na coxa. O que vai fazer?" Eu respondi: "Não posso pedir socorro porque meu telefone foi roubado; vou pressionar o ferimento com um lenço que tenho no bolso e pedir ajuda". Como instrutor de tiro, muitas vezes analisamos nossas respostas com a arma na mão e a mentalidade de um atirador. Mas e quando o baleado é você?

No nosso próximo treino de tiro, faremos um de PSAP (pronto socorrismo na atividade policial), com um colega e professor da área recém transferido para nossa unidade.

Isso é de extrema importância, pois me senti vulnerável ao perceber que minhas respostas para o problema eram limitadas. Não desejo que meus colegas tenham a mesma sensação.

Aprendi também com um grande amigo e IAT, o Agente Agrelli (PF/URA), a utilizar o canivete para cortar o cinto e improvisar.

Então adquiri dois torniquetes com a @prepnetbr (um pra treinar com os colegas). Aqui cabem três elogios pela iniciativa. Um para a ANP/SEF/PSAP, outro para @tacticalroom e o terceiro para @esperandiotacticalconcept que decidiu incluir em seus cursos esse tema tão importante.


Humberto Wendling é Agente Especial, Professor de Armamento e Tiro da Polícia Federal e autor dos livros Autodefesa contra o crime e a violência – um guia para civis e policiais e Sobrevivência Policial – morrer não faz parte do plano.
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Os segredos para o porte de uma arma


Neste post eu compartilho com você alguns "segredos" do sucesso para quem porta uma arma de fogo com responsabilidade:

1) Passe despercebido. Veja sem ser visto. Esse é o princípio da camuflagem e da surpresa.

2) Melhore seu comportamento. Armado, você não pode ceder à vaidade. Quem porta uma arma trabalha noutro nível de autodefesa ou sobrevivência porque as consequências do uso indevido da arma são catastróficas.

3) Exercite a paciência. O descontrole emocional transforma um sobrevivente num assassino frio. E pode ser que a vítima seja você.

4) Pergunte se a sua presença em locais e horários inapropriados é realmente necessária. Um cidadão que porta uma arma de fogo equivale a uma pessoa bem casada e que preza a família. Esse cidadão seleciona parentes, amigos, colegas, festas, lugares, etc. Ele pensa na sua segurança e no amor que sente pela família. Isso é outra melhora no comportamento pessoal. E você sabe o que quero dizer com "lugares inapropriados". 

5) Mantenha distância. Se você pode socar seu oponente, ele também pode golpeá-lo. Se você está próximo do agressor, sua arma também está.

6) Nunca subestime alguém. Ele pode ter uma arma também. Ele pode estar desarmado, mas possuir aquilo que você acha tem: UMA MENTE COMBATIVA E IMPLACÁVEL.

Sua arma de fogo, seu Karatê, seu Jiu-Jitsu, seu Kravmaga, seu Kombato são para a sua SOBREVIVÊNCIA.

Lembre-se que a "melhor defesa num confronto é não estar presente." (Senhor Myiagi). "Todo mundo tem um plano até levar um soco na boca." (Mike Tyson).


Humberto Wendling é Agente Especial, Professor de Armamento e Tiro da Polícia Federal e autor dos livros Autodefesa contra o crime e a violência – um guia para civis e policiais e Sobrevivência Policial – morrer não faz parte do plano.
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Consertando as coisas!




Numa das minhas considerações sobre o posicionamento do coldre interno para o porte frontal (apêndice), uma imagem foi usada para ilustrar o posicionamento ruim.

Então um amigo pediu que a posição mais apropriada fosse esclarecida. Por isso esta postagem vai com a demonstração.

As imagens explicam, por si mesmas, a razão para existir algum espaço entre a linha da cintura da calça e a empunhadura da arma. O próprio coldre foi desenhado para permitir essa distância.

Mas essa posição não deixa a arma mais perceptível? Não é preferível esconder a arma ao máximo?

Para a maioria das pessoas, a altura da sua arma faz pouca diferença, pois elas vivem num estado de desatenção quase contínuo. Por isso elas são incapazes de perceber que você está armado.

Já os criminosos só sabem que alguém está armado quando fazem uma busca pessoal. Numa situação assim, a altura da sua arma, mais uma vez, não faz diferença sob o aspecto da visualização. Entretanto, faz toda a diferença na sua capacidade de sacar rápido e corretamente, inclusive se for necessário usar apenas a mão forte.

Portanto, você precisa manter sua arma discreta até o ponto que isso não comprometa sua empunhadura e seu saque. Como o primeiro compromisso de todo policial ou cidadão armado é com o estado de alerta, é preferível estar em melhor condição para agir em vez de reagir com dificuldade.

O coldre usado nas imagens é a primeira versão enviada para teste pela @coldresspartan

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Empunhadura ruim, reação ruim



Um aluno perguntou qual fundamento do tiro era o mais importante. Antes que o instrutor respondesse, outro aluno disse: "Todos são importantes!" Você sabe que a corrente sempre arrebenta no elo mais fraco. Como cada fundamento do tiro representa um elo dessa corrente, a falha em qualquer um deles faz todo o resto desmoronar. O resultado é um tiro inaceitável, conforme o objetivo do disparo.

Algumas escolas consideram os seguintes fundamentos: base, empunhadura, visada, respiração e acionamento do gatilho.

Outros instrutores e academias incluem o alinhamento do quadril e dos pés, a apresentação da arma, a flexão dos braços e o follow through (com o reset do gatilho). Isso parece muito, eu sei!  E com tanta coisa podendo dar errado, o que fazer?

CONSCIÊNCIA do que você precisa fazer para um tiro aceitável; PERSISTÊNCIA para fazer o que é necessário e CONSISTÊNCIA para fazer o correto sempre.

Então a imagem que ilustra esta postagem representa o elo fraco da corrente. Uma empunhadura deficiente, no momento da necessidade, tem o potencial para produzir um disparo ruim ou um erro completo no alvo.

É necessário entender que a ocultação total de uma arma de fogo não é possível, a menos que você abra mão da acessibilidade e da rapidez no saque. Se o usuário esconde uma arma a ponto de não conseguir usá-la adequadamente, então qual o seu propósito?

Quando a arma sai do coldre, a primeira "pegada" (feita com a mão forte) tem que ser perfeita. E pra isso, todos os dedos e a palma da mão precisam envolver a empunhadura da arma.

Quando comprar um coldre, verifique se ele permite que você empunhe sua arma com perfeição e rapidez. Se seu coldre atual não permite isso, troque-o antes que tudo desmorone no momento mais importante da sua vida.

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