sábado, 29 de dezembro de 2018

Você foi ferido. E agora?



Durante o curso de Multiplicadores em Sobrevivência Policial da academia de polícia, ouvi o relato de um colega que se salvou ao improvisar um torniquete com a camisa. A artéria tibial posterior ou a artéria poplítea (não me lembro) foi quase rompida após um disparo acidental com um revólver Snub .38. Não havia tempo para dirigir até o hospital e os curiosos não ajudaram. Coube apenas ao colega a inteira responsabilidade para continuar vivo.

No curso, os alunos vivenciaram cenários nos quais o pronto socorrismo era uma necessidade. Na minha vez, o professor perguntou: "Humberto, você foi ferido na coxa. O que vai fazer?" Eu respondi: "Não posso pedir socorro porque meu telefone foi roubado; vou pressionar o ferimento com um lenço que tenho no bolso e pedir ajuda". Como instrutor de tiro, muitas vezes analisamos nossas respostas com a arma na mão e a mentalidade de um atirador. Mas e quando o baleado é você?

No nosso próximo treino de tiro, faremos um de PSAP (pronto socorrismo na atividade policial), com um colega e professor da área recém transferido para nossa unidade.

Isso é de extrema importância, pois me senti vulnerável ao perceber que minhas respostas para o problema eram limitadas. Não desejo que meus colegas tenham a mesma sensação.

Aprendi também com um grande amigo e IAT, o policial Agrelli, a utilizar o canivete para cortar o cinto e improvisar.

Humberto Wendling é policial, instrutor de armamento e tiro e autor dos livros Autodefesa contra o crime e a violência – um guia para civis e policiais e Sobrevivência Policial – morrer não faz parte do plano.

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