quinta-feira, 25 de julho de 2013

Armado em qualquer ocasião!


Sem dúvida, um dos maiores benefícios de ser policial é portar uma arma de fogo. A vantagem num conflito de vida ou morte sempre pende para aquele que tem uma arma nas mãos. Ser responsável pela própria segurança e capaz de se defender com o único instrumento que iguala todos os homens é algo que nenhum policial quer renunciar.

É estranho e ao mesmo tempo paradoxal um policial rejeitar a ideia de depender exclusivamente da polícia para se prevenir e se defender dos criminosos. Todavia isso é compreensível, já que todo policial experiente sabe que as instituições policiais e o Estado são parte da solução, mas também parte do problema. Mas felizmente quem faz a polícia são os verdadeiros policiais. Essa é outra vantagem de trabalhar na polícia: contar com o auxílio de uma centena de amigos policiais; todos armados, é claro!

Criminosos sempre portam armas. Todos eles! Então, é de se imaginar que policiais também portem suas armas. Sempre! Contudo, alguns acreditam que o porte de arma é opcional ou que existem situações em que o porte é desnecessário. E quem disse que na atividade policial o porte da arma é uma questão de moda ou gosto pessoal!? Quem disse que se pode escolher!? Por essa razão, muitas empresas (estrangeiras) desenvolvem coldres para várias ocasiões, quer dizer, o coldre muda, mas a arma está sempre com o policial. Se ainda há dúvida sobre a necessidade de portar uma arma, basta a análise das notícias sobre assassinatos provocados por bandidos profissionais para perceber que 100% dessas mortes são causadas por armas de fogo. Agora advinhe que instrumentos esses criminosos utilizarão para tentar matar você!

Entretanto, e apesar dos benefícios, o porte de uma arma trás algumas preocupações, bem como mudanças no estilo de vida e no guarda-roupa. A primeira dessas preocupações é não parecer estar armado, princípio fundamental do porte dissimulado. Talvez por não saber o que fazer para seguir essa regra básica, o policial cometa erros imperdoáveis, tais como: deixar a arma dentro do carro, na mochila, na pochete ou na bolsa da esposa, etc. Só para lembrar, se a arma não está EM você (colada no seu corpo), então você não está armado, apesar de ter uma arma de fogo. E isso é de extrema importância no momento da necessidade, ou seja, no instante em que alguém se aproxima e diz: "É um assalto!" Armas de fogo são como cuecas; se você não está vestindo uma, então está pelado! Portanto, da próxima vez que sair de casa, verifique se você está VESTINDO sua arma.

No dia 20 de julho de 2013, após uma partida de futebol, um policial entrou no carro e foi rendido por dois ou três criminosos. Enquanto era levado para um bairro distante, o policial teve a convicção que morreria se não reagisse. A reação seria perfeitamente possível se não fosse por um detalhe: a arma estava debaixo do banco do veículo. Num golpe de sorte, a vítima conseguiu alcançar a arma e atirar contra o bando. Houve troca de tiros, mas ninguém acertou ninguém; fato típico quando o desespero está presente. Eu disse SORTE já que não é possível falar em perícia, pois não existe técnica que ensine saque de arma escondida debaixo do banco do carro (veículos não foram feitos para guardar armas de fogo).

A dinâmica desse evento tem um fator didático, e é isso que será explorado nesse artigo. Quer dizer, como portar sua arma nas situações mais improváveis. Tais condições não deveriam ser discutidas na Internet, considerando a possibilidade de criminosos terem acesso à informação. Contudo, é preferível orientar os policiais a manter o silêncio enquanto muitos cometem aqueles erros imperdoáveis.

A roupa padrão do policial à paisana é a calça comprida e a camisa para o lado de fora. Criminosos profissionais também utilizam esse "uniforme". O "uniforme" do bandido pé-de-chinelo é o bermudão e a camiseta para o lado de fora. Obviamente, não é possível portar uma arma de fogo usando uma bermuda e uma camiseta, certo? Errado, é possível sim (apesar da dificuldade no saque). Para o porte tão dissimulado existe um coldre denominado SMART CARRY HOLSTER, uma espécie de sacola amarrada em volta da cintura que mantém a arma sobre o órgão genital coberta pela calça. Entretanto, esse não é um coldre para se usar com calças, mas para se usar com bermudas e shorts. Via de regra, calças são utilizadas com cintos ou não possuem cinturas elásticas. Dessa forma, é extremamente difícil e lento sacar uma arma guardada em local tão inacessível de modo imediato. Já as bermudas, moletons e shorts não necessitam de cintos, o que permite que o policial comprima o abdômen ou, simplemente, estique o elástico do vestuário para ter acesso ao armamento (refiro-me à arma de fogo). Esse é um tipo de coldre ideal para armas de pequeno tamanho, como revólveres 5 tiros e pistolas subcompactas, como as Glocks 26/27/28.

Outro modelo de coldre designado para condições fora do normal é o BELLY BAND HOLSTER. Na verdade, esse coldre é uma faixa elástica que pode comportar uma variedade de tipos e modelos de armas, carteiras, carregadores, lanternas pequenas, chaveiros, etc. É ideal para a prática de esportes como o ciclismo, a corrida, a caminhada. Por tratar-se de uma cinta unida nas extremidades por velcros, esse coldre permite que a arma seja mantida na posição mais adequada à modalidade esportiva que o policial está praticando. Por exemplo, a faixa pode ser girada para que a arma fique sobre o abdômen quando o policial estiver praticando o ciclismo. Nesse esporte, o policial fica curvado para frente, e se a arma estivesse na lateral do seu corpo, surgiria um ressalto sob a camiseta. O Belly Band Holster (imagens 1 e 2) também é muito útil quando se carrega uma mochila nas costas, considerando que as alças da mochila impedem o acesso e o saque de uma arma coldreada na lateral do corpo. Outra vantagem desse coldre é que ele pode ser usado com qualquer tipo de roupa (calças com ou sem cinto, bermudas, bermudões, shorts). Lembre-se que a presilha deve envolver ou passar sobre o ferrolho (cobrindo o cão), e NUNCA sobre a armação (punho/beavertail) da sua arma. Caso contrário, ao empunhar a arma, sua mão ficará sobre a presilha do coldre, impedindo o saque rápido.


Uma terceira opção é utilizar o cinto tático, como o Blackhawk, ou um cinto de guarnição (imagens 3 e 4). Como não necessitam de passadores para se fixarem ao vestuário, esses cintos são excelentes opções para o porte de arma com roupas esportivas. Você também pode utilizar cintos com fivelas em forma de argolas e um coldre de polímero (Fobus ou IMI).

 
Certamente, você não pode portar sua arma enquanto joga bola, basquete ou peteca. Contudo, existem opções para o porte de arma mesmo com roupas esportivas. Sabendo que isso é plenamente possível, espera-se que você exerça seu sagrado direito de portar sua arma de fogo e se defender em qualquer condição e em todos os lugares. 

Humberto Wendling é Agente Especial da Polícia Federal, Professor de Armamento e Tiro e autor do livro Autodefesa Contra o Crime e a Violência – Um guia para civis e policiais.
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Livro: www.editorabarauna.com.br