segunda-feira, 13 de agosto de 2018

O fator físico


O policial pode não estar ciente sobre uma antiga lei que exige total comprometimento com a excelência na aptidão física. Em benefício da sobrevivência, ele deve treinar para atingir extraordinário condicionamento físico se não quiser sofrer as consequências dessa lei. É o código das ruas, que diz que a sobrevivência está COM O MAIS FORTE. 

Todos os dias, policiais de todos os lugares do mundo são agredidos com socos, chutes, cotoveladas, mordidas, facadas, ferramentas, porretes, espadas, veículos e, em muitas ocasiões, com suas próprias armas de fogo.

Enquanto um policial se esforça para superar a resistência de um criminoso ou tenta vencer uma luta desesperada pela vida, ele precisa não só de habilidades táticas, mas de cada pedaço de força, flexibilidade, mobilidade e resistência disponível. Esses atributos apenas se desenvolvem com o treinamento constante, pois se deterioram rapidamente quando o policial deixa de praticar.

Todas as instituições policiais brasileiras possuem padrões de condicionamento físico para ingresso na carreira. Contudo esses padrões, para qualquer nível de aptidão, terminam exatamente quando a necessidade urgente de aplicação desses atributos começa.

A tentação para a inatividade física deve ser vigorosamente combatida, já que a defesa contra agressões físicas é parte do trabalho policial. É preciso ter sempre em mente que os futuros adversários dos policiais estão treinando duro para serem capazes de matá-los.

Se o policial está treinando agora, ele NÃO PODE PARAR... NUNCA! É comum policiais serem ridicularizados porque não conseguiram se levantar após efetuarem alguns tiros na posição deitado durante os treinamentos.

Em seguida, vem um padrão que se repete ano após ano. À medida que os policiais bem condicionados envelhecem, tornam-se complacentes e são atingidos por outras prioridades. Então eles começam a intervalar os treinos. O tempo passa, os intervalos ficam cada vez maiores e esses policiais se transformam naqueles que sofrem para sair da posição deitado durante um treinamento de tiro.

Do primeiro até o último dia de trabalho, o policial pode experimentar tiroteios, perseguições a pé e chamados para socorrer colegas em perigo. Ele também irá descobrir que criminosos são incapazes de poupar alguém em respeito à sua idade ou aparência frágil.

O treinamento físico possui um papel fundamental na sobrevivência policial tanto quanto na qualidade de vida de um policial. Recomenda-se que ele corra, levante pesos, alongue-se e lute enquanto viver e PARA VIVER. Isso não vai interromper seu envelhecimento, mas permitirá que continue fazendo o que ama, por mais tempo e melhor. Sua vida depende disso agora e sua qualidade de vida dependerá disso mais tarde.

Trecho introdutório do capítulo Fator Físico, do livro Sobrevivência Policial - morrer não faz parte do plano, 2018, Clube de Autores.


Humberto Wendling é Agente Especial, Professor de Armamento e Tiro da Polícia Federal e autor dos livros Autodefesa contra o crime e a violência – um guia para civis e policiais e Sobrevivência Policial – morrer não faz parte do plano.

E-mail: humberto.wendling@gmail.com
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sexta-feira, 25 de maio de 2018

A dor (trecho do livro Sobrevivência Policial)




A DOR é um sinal de alerta para chamar a atenção para um ferimento ou mau funcionamento em alguma parte do corpo. Apesar de desconfortável, a dor, por si só, não é prejudicial ou perigosa. Numa situação extremamente grave, a dor pode, inclusive, não ser sentida. Entretanto a sobrevivência do policial DEVE TER PRIORIDADE SOBRE SEU ÍMPETO DE CEDER À DOR.

A função biológica da dor é proteger uma parte do corpo lesionada, alertando o indivíduo para que descanse ou evite usar aquela parte do corpo. Em uma situação de sobrevivência, os avisos normais de dor podem ser ignorados, a fim de que sejam atendidas outras necessidades mais importantes. Não são raros os casos de pessoas que lutaram mesmo com a mão fraturada; que fugiram correndo com um tornozelo torcido ou quebrado ou que ignoraram a dor durante períodos de raiva, intensa concentração e esforço determinado. Tanto a concentração quanto o esforço intenso podem, na verdade, parar ou reduzir a sensação de dor.

Assim, o policial deve compreender as questões relacionadas com a dor. E apesar de senti-la, ele deve seguir em frente se pretende continuar vivo. A dor pode ser reduzida pela compreensão de sua natureza e origem; reconhecendo-a como um desconforto a ser tolerado; concentrando-se nas necessidades da ocorrência, tais como: observar, planejar, decidir e agir. Quando as metas pessoais são muito valorizadas, um sobrevivente pode tolerar quase tudo.

O medo e a dor podem ser tolerados se a vontade de seguir em frente for mais forte.

A decisão de que esse é o caminho a ser percorrido abre as portas para o aprimoramento por meio da capacitação qualificada. Quanto mais rusticidade e habilidades o policial possui, maior sua resistência em um evento de risco. É importante ter confiança na capacidade profissional se o policial pretende superar o medo em um conflito. Além do mais, se um policial não tem confiança em uma técnica específica, tentar usá-la pode deixá-lo vulnerável. Por essa razão, os policiais devem exercitar os fundamentos básicos com a maior competência possível para, só depois, avançarem nos treinos mais complexos.

Numa operação de repressão ao tráfico de drogas, agentes federais entraram em um bar onde se escondia o chefe da quadrilha. Ao perceber que seria preso, o criminoso disparou diversas vezes contra o policial que estava na frente dos demais. O policial reagiu e os dois (policial e traficante) continuaram a disparar suas armas enquanto o primeiro seguia em frente e se aproximava. Mesmo atingido cinco vezes, o policial saltou o balcão do bar, agarrou o traficante e realizou seu último disparo. O criminoso morreu, mas o agente da Polícia Federal sobreviveu e continua na ativa. (Brasília/DF).

Esse evento revela como a concentração, o forte desejo de completar a tarefa, a vontade de sobreviver e a raiva impediram que o policial cedesse ao primeiro impulso de dor ou ao medo de ser ferido ou morto. Certamente, esse exemplo reflete uma resposta prática de alguém com uma mentalidade combativa. 

Finalmente, um policial atingido jamais deve sucumbir à dor do impacto de um projétil no colete balístico que ele utiliza. Qualquer distração pode desviar o foco do policial para a necessidade de continuar no confronto e eliminar o agressor.

Humberto Wendling é Agente Especial, Professor de Armamento e Tiro da Polícia Federal e autor dos livros Autodefesa Contra o Crime e a Violência – Um guia para civis e policiais e Sobrevivência Policial – Morrer não faz parte do plano.
E-mail: humberto.wendling@gmail.com
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Foto e vídeo:http://www.ntd.tv/2017/12/21/video-captures-police-officer-struggling-to-make-tough-arrest-as-onlookers-step-in/

https://www.clubedeautores.com.br/book/250806--Sobrevivencia_policial#.WwjKWYoh2Uk