domingo, 26 de julho de 2020

Lançamento do quarto livro: Policiais: coletânea 2


Caros amigos, informo o lançamento do meu quarto livro, denominado POLICIAIS: COLETÂNEA 2.

"É estranho, mas reconfortante, treinar um policial e perceber que o ápice do seu desempenho é quando ele encontra um agressor letal e continua de pé.

Mas muitos acreditam que ser policial significa não ter medo. E isso é um erro, pois só um louco não teria medo de se aproximar de um carro com vidros escuros; de subir os morros de uma favela; de se aproximar de uma porta para cumprir um mandado de busca ou correr direto para o epicentro de um tiroteio.

Sentimos medo, é claro! Contudo, a nossa diferença, e que torna o trabalho policial admirável, é que cumprimos com o nosso dever assim mesmo.

Aceitamos o trabalho e avançamos passo a passo, dia a dia, mesmo com o medo no estômago e a lembrança dos que se foram."

Humberto Wendling

Policiais: coletânea 2 possui artigos que você pode incorporar na sua vida e no trabalho hoje e sempre.

Livro disponível no site do Clube de Autores (www.clubedeautores.com.br).

Líder ou uma pedra no caminho


Frustração; depressão; solidão; doença crônica. Familiar com necessidade especial; alcoolismo, drogas e jogos de azar. Morte de um familiar; suicídio. Problema financeiro; problema escolar. Assédio moral; dificuldade conjugal; estresse; vergonha; culpa. Preocupação com os pais idosos; questões legais; infelicidade; aspirações inconclusas.

Provavelmente, você encontrará itens que se relacionam à sua vida ou à vida de alguém querido, e é certo dizer que não estamos imunes. As pessoas carregam seus fardos e, até certo ponto, eles definem quem e como somos. Mas uma palavra não está relacionada: TRABALHO.

Assim como essas situações nos afetam, também afetam nossos colegas em todos os níveis hierárquicos todos os dias. Então, pergunte-se o que você pode fazer para que o trabalho não seja mais um problema para os colegas.

Você se esforça para que eles saibam que são valorizados? Você entende as batalhas pessoais que eles enfrentam? O ambiente que você cria os ajuda a sentirem confiança e alegria? Você deseja que o colega prospere? Ou você é a pessoa que aumenta o fardo do próximo? É a pedra no meio do caminho...

Saiba que a LIDERANÇA e IRMANDADE estão na alma e no coração, o resto está nas entranhas, aonde fica a inveja.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Está tudo certo!


Bancos checam o acesso de policiais armados. Fóruns impedem a entrada de policiais armados, inclusive em serviço.

E as polícias?

Unidades policiais deveriam ser ambientes repletos de homens e mulheres armados. Todos portando carregadores sobressalentes, distintivos no peito, algemas. Todos com crachás.

Desconhecidos e pessoas não identificadas deveriam ser interpeladas. Ninguém andaria sem "escolta".

Coletes balísticos sobre as cadeiras, gente limpando pistolas e fuzis, fotos emolduradas de operações policiais, murais em honra aos colegas assassinados, quadros com fotos de procurados, etc.

Em algum lugar, um tatame e um saco de areia pra ser socado e chutado com força. Aparelhos de musculação.

Ao lado, um estande de tiro e munição à vontade com treino orientado.

Mas como pensar nisso se o dever de casa parece não estar sendo feito? Como se sentir policial quando acreditamos que estamos numa repartição pública comum?

Quantos ainda serão mortos porque preferem trabalhar sozinhos? Quantos serão assassinados porque não fazem a busca pessoal? Quantos ficarão em risco porque ninguém controla quem entra e quem sai da unidade policial?

Todos os dias colegas desarmados lidam, sozinhos, com investigados. E a única coisa que os separa é uma mesa, normalmente cheia de objetos que podem ser usados como arma (furadores de papel, estiletes, grampeadores, tesouras).

Isso significa que em breve teremos mais notícias como a que ilustra este texto.

O melhor é o que você tem na hora.

Às vezes me perguntam sobre o melhor calibre de arma CURTA.

Apesar de saber da importância da pesquisa no Brasil, tenho a percepção que estamos num caminho inconclusivo, pelo menos agora.

Explico: estamos testando produtos INDISPONÍVEIS e sobre uma plataforma que serve só pra comparativo entre munições.

A gelatina balística (com ou sem anteparos de madeira, metal, têxteis) só é capaz de avaliar penetração, expansão, fragmentação, perda de massa, perfil de lesão, etc.

Sei que as polícias só possuem esse meio de teste, pelo menos as que testam algo.

Mas a gelatina não se comporta como um ser humano. Assim, o teste não pode ser o único indicador de incapacitação do alvo.

Se não carregamos armas pela boca do cano e se não confrontamos hordas de inimigos, em tese, não precisamos do ÚNICO tiro milagroso.

O que conta é o ALVO, o ponto de impacto e quantas vezes esse local é atingido.

Por isso os carregadores tem alta capacidade e portamos mais de 1 ou 2 deles. Por isso o policial não deve trabalhar só. E aonde ele for, deve haver uma arma longa também.

Contudo, sempre que o policial atira contra o agressor, um dado sobre efetividade de munição é produzido. Mas não coletamos e transformamos isso em conhecimento.

Então não há resposta científica pra pergunta.

"Você tá dizendo que posso usar um .22 LR pra defesa?" Eu não disse isso. Mas pra você acertar o alvo várias vezes na mesma região é preciso treino correto. E não importa se o calibre é 9mm Luger, .40 S&W, .45 ACP, se o projétil é expansivo ou ogival, se a carga é +P ou +P+.

Num vídeo de uma reação policial, a vítima só teve tempo de acertar 1 tiro (.40 S&W) no tórax do ladrão, que correu cerca de 220 metros em 1 minuto antes de cair e morrer. O que o criminoso seria capaz de decidisse ficar e lutar?

Você pode testar e sonhar com uma Lamborghini, mas na hora de dirigir, precisa tirar o melhor proveito do que está na sua garagem!

Spray de gengibre contra faca?!

Num post no Instagram, eu mencionei o uso da viatura como meio menos letal contra indivíduos com faca.

Disse que opções, como o Taser ou a espingarda com munição menos letal, eram viáveis em sujeitos identificados como "incapazes" de atacar, tendo na distância uma aliada (como no vídeo).

É claro que essas opções podem falhar. Daí a importância da distância e da cobertura de fogo.

Chamou minha atenção a menção à "Regra dos 21 pés" de Dennis Tueller (6,4 metros).

Mas não se iluda com isso, pois o pesquisador disse que essa distância insere o policial no limite da zona de perigo.

Recomenda-se 10 metros de distância (ou mais) do suspeito e a cobertura de policiais armados.

Mais uma vez, não entenda essa distância (10m) como regra, pois a dinâmica da ocorrência tem impacto na forma como o policial pode se posicionar.

Tenha em mente que você precisa duma distância que ofereça a melhor segurança possível, e um caminho livre (se possível).

Como diz meu grande amigo: "Regra foi feita pra ser quebrada; princípio existe pra ser seguido!"

Outro comentário chamou a atenção, na verdade um anúncio de um produto (que não possui o endosso do perfil). Nele consta que o uso de um spray não letal em jato direcionado (com alcance de 5 metros) permitiria incapacitar o indivíduo com segurança.

Em relação ao indivíduo do post anterior é uma possibilidade, não uma certeza. O uso de tonfas, bastões retráteis e sprays não são recomendados e a razão é simples: todos eles exigem proximidade.

Se na década de 80, o sargento Dennis Tueller tratou a distância de 6,4m como algo perigoso, não é aconselhável sugerir que o policial fique a 5 metros.

Policiais, instituições e empresas precisam avaliar suas políticas de uso da força, bem como os equipamentos que compram e vendem.

Não se pode esperar que um produto supere sua própria capacidade de aplicação, pois isso coloca todos em risco.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Munição com esmalte de unha

Porta a arma na meia ou no embrulho de pão; lava a munição com detergente; aponta a arma pro peito; intercala os cartuchos no carregador; carrega a arma dentro da bíblia, lambuza a arma com óleo, enrola no plástico PVC e põe na cintura; joga a arma pela janela do prédio numa briga de casal.

Creio que o cidadão tem o direito de se defender, colecionar o que quiser e praticar o tiro esportivo sem entraves. Acredito na polícia, sabendo que temos que melhorar e fico contente em ver profissionais desenvolvendo bom conteúdo teórico e prático.

Tudo isso tem relação com a vida dos meus colegas e dos cidadãos.

A questão é que vivemos numa bolha: do estudo, do ensino, do cuidado com a segurança, etc.

Dentro e fora da bolha, vez ou outra, surgem ideias incomuns. São os comportamentos citados no início.

Então pra proteger a munição da umidade, uma pessoa disse passar esmalte de unha na espoleta e na boca do estojo, circundando o projétil.

Isso não é novo, mas é realmente necessário?

O esmalte possui 85% de solventes e 15% de resinas, aditivos, plastificantes e outros itens. A lista de químicos é longa.

O esmalte degrada com o tempo. No retoque, o usuário usa outro esmalte por cima ou retira o velho com acetona?

O impacto do ferrolho no culote do estojo quebra o esmalte? Pequenas lascas podem entrar no alojamento do percussor? Quanto tempo o percussor aguenta a dureza extra da espoleta? A camada de esmalte, mesmo pequena, pode impedir o percussor de atingir espoleta adequadamente?

Com o esmalte na boca do estojo, o cartucho assenta no ombro (shoulder) da câmara? Quando o cartucho atinge o ombro, o que ocorre com o esmalte?

O que informam os fabricantes da arma e da munição?

Com tantas questões sem respostas, talvez a prudência seja a melhor saída. Ou seja, faça o simples.

Está aí a recomendação da fabricante CBC: “A CBC NÃO RECOMENDA a utilização e/ou aplicação de esmalte de unha nas munições, seja na região da espoleta ou até mesmo, na região de união entre o projétil e estojo. Salientamos que, essa prática pode comprometer o perfeito funcionamento da munição, inclusive podendo ocasionar danos no armamento.”

Resposta da Winchester: “We do not recommend using nail polish or any other liquid on our ammunition.”

Resposta da Federal: “We do not recommend using any liquid compound around the primer as it is possible it could contaminate the primer mix.”

No fim, eu que passo vergonha perguntando isso pra eles.

Pessoalmente, prefiro seguir as recomendações dos manuais, pois eles existem pra que o usuário faça o melhor uso de um produto.

sábado, 18 de abril de 2020

Agora sim!


Depois que uma pessoa instruiu que munições e armas podem ser lavadas com água e detergente e penduradas no varal, surge outra dica.

A sugestão do vídeo, que você deve ter visto, é que o revólver pode ser lubrificado antes de ser guardado.

Se você vai guardar a arma por muito tempo e/ou mora numa cidade com alto índice de umidade, a prática pode preservar o equipamento.

Mas antes de portar a arma, é recomendável retirar a camada de óleo, já que a mão pode escorregar durante o saque.

O curioso é que o protagonista diz que após a lubrificação, a arma pode ser embalada num plástico transparente (filme de PVC). Hummm...até vai, se você pensa em não usar a arma por muito tempo.

Mas qual o objetivo de ter uma arma em casa se alguém acha que não irá usá-la por muito tempo? Já foi combinado com o ladrão? A cartomante previu a data da invasão? E o treino a seco?

Na sequência, ele diz que a munição pode ficar no tambor da arma lubrificada. Revólver e munição lubrificados e embalados no filme PVC.

E pra portar? Ora, ter trabalho desfazendo tudo isso? Mete na cintura o “três oitão” lambuzado de óleo automotivo enrolado no plástico e vai pra guerra!

E pra provar que é possível disparar dessa forma, o protagonista faz um furo no plástico com o dedo indicador e pressiona o gatilho. Ele leva um tempinho nessa façanha, mas dispara uns fetins.

Com tanta coisa sendo criada, eu também desenvolvi algo que pode ajudar os inventores a portarem suas armas.

É o coldre cartonado. O usuário enche o coldre com óleo ou água e detergente. Depois é só mergulhar a arma lá dentro e cumprir a missão.

Finalmente, convido os inventores a lerem as duas últimas recomendações de uso e segurança do Informativo Técnico 43 da CBC (junho, 2005).