terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Porta algemas (parte 2)

Sobre os posicionamentos do porta algemas no cinto policial. O tema surgiu de uma imagem de porta algemas (c/ retenção por presilha plástica) localizado na parte de trás do cinto.

O porta algemas (abreviarei como PA) pode ficar próximo ao coldre. Durante a abordagem, um policial faz a segurança e o outro coldreia a arma e c/ a mesma mão saca as algemas e as utiliza. Tanto faz se o PA está na frente ou logo atrás do coldre. Tudo é feito com a mão dominante.

O princípio é o uso das algemas c/ a arma no coldre. Mesmo que os policiais estejam lutando p/ controlar um agressor que resiste, a arma tem que estar no coldre, já que um disparo pode acertar os envolvidos ou o abordado pode arrebatar a arma.

O PA também pode estar do lado do porta-carregador (PC), já que o saque das algemas pode ser feito com a mão reativa. O PA pode estar na frente ou atrás do PC.

Nesse caso, o policial tem opções numa distância segura. Ele pode sacar as algemas e passá-las LOGO (c/ a mão reativa) p/ um colega que não tem o equipamento, enquanto empunha sua arma c/ mão dominante. Ele pode sacar as algemas enquanto coldreia ou pode coldrear a arma primeiro p/ em seguida retirar as algemas do PA. Em todos os casos alguém faz a segurança c/ a arma em punho.

O PA pode ainda estar na parte de atrás do cinto, DESDE QUE NÃO TENHA RETENÇÕES como a presilha macho e fêmea (explicado no post passado). Se alguma retenção estiver presente no PA, ela DEVE permitir uma abertura fácil e rápida. Mais uma vez, as retenções por pressão e velcro podem ser usadas.

Importante: não se aproxime do abordado c/ a arma em punho. Não mantenha as duas mãos ocupadas com as algemas e a arma por muito tempo.

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sábado, 24 de novembro de 2018

Quebrando regras num piscar de olhos.

 
Quatro regras de segurança quebradas num piscar de olhos:

  1. Considere toda arma de fogo sempre carregada (pronta para o uso).
  2. Nunca aponte uma arma para algo que não pretenda destruir (o que inclue seu próprio corpo).
  3.  Só toque o gatilho após decidir atirar e engajar o alvo.
  4. Sempre use um coldre de qualidade (isso impede que você coloque o dedo no gatilho ao sacar e coldrear; impede que sua arma "desapareça" dentro da calça, dificultando o saque; protege o armamento do sujeira e do suor). Se você porta sua arma nas costas, existe um tipo de coldre específico para isso. Ele se chama S.O.B. ou Small of Back. Nele, as retenções por presilha, botão e alças são proibidas.

No porte nas costas a arma não deve estar com o carregador voltado para baixo (como na imagem que ilustra este post). Nessa posição, para que a empunhadura ocorra corretamente, os dedos indicador, médio, anular e mínimo precisam se espremer entre a arma e as costas do atirador. Isso dificulta e atrasa o saque.
 
Contudo, com o carregador voltado para cima, apenas o polegar precisa se encaixar entre a arma e as costas, enquanto os outros quatro dedos estão livres para envolver a empunhadura. Tanto é assim que no S.O.B. a base do carregador fica para cima.

No porte S.O.B., se você realmente procura alguma dissimulação, a arma deve estar no meio das costas (na linha da coluna), e não na extremidade (acima da nádega do lado dominante). Com sua arma em segurança, faça um teste.

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domingo, 11 de novembro de 2018

Porta algemas (parte 1)

Recentemente vi o anúncio de um porta algema c/ retenção por presilha plástica. O equipamento estava preso ao cinto e posicionado nas costas do operador (altura da coluna vertebral). Neste post, vou tratar das retenções de um porta algemas. No post seguinte, sobre o posicionamento correto.

Existem vários modelos, e a escolha tem relação c/ a preferência pessoal e a padronização do cinto de guarnição.

Cito os de polímero (Fobus), os termoplásticos (Kydex), os de nylon (Blackhawk/Cordura), os trilaminados e de couro (Safariland). As retenções variam:


1) Moldado/pressão - o molde prende a algema por pressão.
2) Botão - uma tampa envolve, fecha e trava a algema por um botão de pressão; o botão pode ser visível ou não.
3) Velcro - substitui o botão.
4) Tira flexivel com botão.

Nesses modelos, uma característica comum: a capacidade para liberar a retenção com só uma mão. O uso da algema se dá, muitas vezes, em situações de conflito aonde o estresse e a urgência estão presentes. Isso significa que as habilidades motoras fina e complexa (que exige a coordenação dos dedos e mãos; e envolve múltiplos componentes) estão em declínio. Por isso o equipamento policial deve favorecer a simplicidade no manuseio.

As retenções por molde, botão e velcro permitem que o policial use todos os dedos de uma vez, da maneira que for viável (uso "bruto"), para pegar a algema.

Isso implica que uma retenção por presilha "macho e fêmea" não funciona, pois exige um tipo de coordenação motora não disponível (os dedos polegar e indicador devem exercer pressão simultânea nos dois lados da presilha). Mas o policial não algema o agressor só depois de controlar a situação?! Nem sempre! Por isso todo equipamento TEM a obrigação de ser funcional nas piores ocorrências.

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domingo, 28 de outubro de 2018

Presilha sobre a empunhadura: um convite para o desastre



Observe a imagem acima.

Um dos fundamentos do tiro é aquilo que chamo de "primeira empunhadura". É aquela que o atirador (com a mão forte/dominante) faz no início do saque.

Como todo fundamento, o procedimento tem que ser exato, pois qualquer inconsistência criará um efeito cascata.

Uma empunhadura ruim pode produzir um saque ruim, impossibilitar algum tipo de visada, provocar alguma pane no armamento e impedir acertos no alvo, mesmo no tiro instintivo. Uma empunhadura ruim pode forçar o atirador a corrigir o erro "no meio do caminho", tomando tempo precioso num momento no qual vencedores e perdedores são definidos em segundos.

E o que esperar quando a mão que faz a primeira em empunhadura prende a trava/tira do coldre?

Essa trava do coldre, em forma de tira, NÃO PODE PASSAR SOBRE A EMPUNHADURA (CABO) da pistola. Ela TEM que passar sobre o ferrolho/cão. Assim a primeira empunhadura estará livre e a arma não ficará retida no coldre (porque a mão não estará prendendo a tira). Tratei disso no vídeo "Seu coldre nas redes sociais".

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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Um coldre ruim pode ser o elo fraco da corrente

Os três primeiros foram compilados no livro Sobrevivência Policial - morrer não faz parte do plano (Clube de Autores). O quarto item pode ser visto nesta foto. Ela demonstra o tipo de equipamento que todo policial deve evitar, principalmente porque existem excelentes produtos nacionais (coldres, vestuário, lanternas, sistemas molle, mochilas, calçados). Um coldre ruim pode ser o elo fraco da corrente. Ele pode sacrificar o melhor e mais bem preparado atirador, lutador ou policial.

Coldres de neoprene com presilhas de metal arredondado cedo ou tarde deixam o usuário "na mão". Esse material não pode ter sua eficácia avaliada apenas na hora em que você tira a arma da cintura (com calma e devagar) para guardá-la na gaveta. É preciso saber como o equipamento vai se comportar NA HORA DA VERDADE, quando você precisa de um saque rápido e decisivo.

Presenciei, incontáveis vezes, armas e coldres de neoprene serem sacados juntos durante exercícios de tiro, impedindo que o policial disparasse sua arma.

Nem é preciso dizer que usar um equipamento ruim e uma calça sem cinto é a cereja do bolo desse desastre. A presilha, que já é ruim, não tem um ponto de apoio; um ponto de ancoragem.

Finalmente, com a arma tão inserida na calça, uma empunhadura sólida envolvendo todo o cabo é prejudicada.

Também já usei produtos ruins como a tal pochete de saque rápido (eram os anos 90). Mas durante uma operação de repressão ao narcotráfico, aquilo que parecia maravilhoso não funcionou. Então joguei o lixo no lixo, e aprendi a lição.

A foto ficou muito boa, mas a sua vida não tem preço. Portanto, livre-se daquilo que é seu ponto fraco.

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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Pergunta


PERGUNTA: "Agressor menos letal ou agressão letal? Como deveríamos classificar um agressor que entra em luta corporal com um policial e tenta pegar sua arma de fogo ou tonfa? Em nossas instruções tenho classificado como agressão letal." Questão levantada por um leitor e policial militar instrutor.

RESPOSTA: Se o policial for atacado por um agressor que não possui uma arma e assumir que, por essa razão, a agressão é menos letal, ele pode selecionar um nível de força inadequado. Isso pode permitir que o agressor tenha acesso à arma. Numa situação assim, a "classificação" da letalidade ainda pertence e está na mente do agressor, pois pode ser que a agressão termine sem consequência mortal para o policial. Pode ser e pode não ser. Dada a dúvida, o policial deve assumir sempre como uma agressão letal, ou, no mínimo, potencialmente letal (para tonfa, por exemplo). Mas isso ele só vai saber se perder a luta. E como na sequência ele pode perder a vida, então o pior resultado deve sempre ser considerado.

Imagem do livro Sobrevivência Policial enviada pelo colega.


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