sábado, 24 de novembro de 2018

Quebrando regras num piscar de olhos.

 
Quatro regras de segurança quebradas num piscar de olhos:

  1. Considere toda arma de fogo sempre carregada (pronta para o uso).
  2. Nunca aponte uma arma para algo que não pretenda destruir (o que inclue seu próprio corpo).
  3.  Só toque o gatilho após decidir atirar e engajar o alvo.
  4. Sempre use um coldre de qualidade (isso impede que você coloque o dedo no gatilho ao sacar e coldrear; impede que sua arma "desapareça" dentro da calça, dificultando o saque; protege o armamento do sujeira e do suor). Se você porta sua arma nas costas, existe um tipo de coldre específico para isso. Ele se chama S.O.B. ou Small of Back. Nele, as retenções por presilha, botão e alças são proibidas.

No porte nas costas a arma não deve estar com o carregador voltado para baixo (como na imagem que ilustra este post). Nessa posição, para que a empunhadura ocorra corretamente, os dedos indicador, médio, anular e mínimo precisam se espremer entre a arma e as costas do atirador. Isso dificulta e atrasa o saque.
Contudo, com o carregador voltado para cima, apenas o polegar precisa se encaixar entre a arma e as costas, enquanto os outros quatro dedos estão livres para envolver a empunhadura. Tanto é assim que no S.O.B. a base do carregador fica para cima.

No porte S.O.B., se você realmente procura alguma dissimulação, a arma deve estar no meio das costas (na linha da coluna), e não na extremidade (acima da nádega do lado dominante). Com sua arma em segurança, faça um teste.

Humberto Wendling é policial, instrutor de armamento e tiro e autor dos livros Autodefesa contra o crime e a violência – um guia para civis e policiais e Sobrevivência Policial – morrer não faz parte do plano.

domingo, 11 de novembro de 2018

Porta algemas (parte 1)

Recentemente vi o anúncio de um porta algema c/ retenção por presilha plástica. O equipamento estava preso ao cinto e posicionado nas costas do operador (altura da coluna vertebral). Neste post, vou tratar das retenções de um porta algemas. No post seguinte, sobre o posicionamento correto.

Existem vários modelos, e a escolha tem relação c/ a preferência pessoal e a padronização do cinto de guarnição.

Cito os de polímero (Fobus), os termoplásticos (Kydex), os de nylon (Blackhawk/Cordura), os trilaminados e de couro (Safariland). As retenções variam:

1) Moldado/pressão - o molde prende a algema por pressão.
2) Botão - uma tampa envolve, fecha e trava a algema por um botão de pressão; o botão pode ser visível ou não.
3) Velcro - substitui o botão.
4) Tira flexivel com botão.

Nesses modelos, uma característica comum: a capacidade para liberar a retenção com só uma mão. O uso da algema se dá, muitas vezes, em situações de conflito aonde o estresse e a urgência estão presentes. Isso significa que as habilidades motoras fina e complexa (que exige a coordenação dos dedos e mãos; e envolve múltiplos componentes) estão em declínio. Por isso o equipamento policial deve favorecer a simplicidade no manuseio.

As retenções por molde, botão e velcro permitem que o policial use todos os dedos de uma vez, da maneira que for viável (uso "bruto"), para pegar a algema.

Isso implica que uma retenção por presilha "macho e fêmea" não funciona, pois exige um tipo de coordenação motora não disponível (os dedos polegar e indicador devem exercer pressão simultânea nos dois lados da presilha). Mas o policial não algema o agressor só depois de controlar a situação?! Nem sempre! Por isso todo equipamento TEM a obrigação de ser funcional nas piores ocorrências.

Humberto Wendling é policial, instrutor de armamento e tiro e autor dos livros Autodefesa contra o crime e a violência – um guia para civis e policiais e Sobrevivência Policial – morrer não faz parte do plano.