terça-feira, 22 de maio de 2018

Entrevista sobre o livro Sobrevivência Policial




Da onde surgiu a ideia de criar essa história? O que te inspirou para escrever o seu segundo livro?

O livro Sobrevivência Policial é a segunda parte de um projeto literário orientado para policiais que foi iniciado em 2002, após a conclusão do Curso de Instrutor de Tiro da Polícia Federal. Em razão da extensão do tema, esse projeto foi dividido em quatro segmentos: Autodefesa; Sobrevivência Policial; Estresse e o Confronto Armado; e Armamento e Técnicas de Tiro.


Como foi escrever um livro? Por que começou a escrever?

Escrever e finalizar o livro Sobrevivência representou a conclusão de um período de mais de quatro anos de estudos e pesquisas sobre o tema. Representa também o sonho de contribuir para a melhoria no trabalho policial e a salvaguarda dos meus colegas policiais que optaram por essa nobre e árdua carreira.

O livro começou a ser escrito porque, ao longo da nossa história, muitos colegas têm sido assassinados, e nada ou pouca coisa tem sido feita para impedir essas ocorrências. Em média, são mortos 360 policiais brasileiros todos os anos. Portanto, o livro Sobrevivência Policial surgiu do forte desejo de virar esse jogo.


O livro é baseado em suas experiências ou de alguém que você conhece?

O livro intercala as histórias de policiais americanos e brasileiros que perderam o confronto de suas vidas, bem como as narrativas daqueles que sobreviveram. Desse modo, o colega pode avaliar as ocorrências para determinar o que foi feito de errado e o que ele faria se estivesse no lugar dos colegas. Engloba também dois estudos de casos internacionais, o Tiroteio de Miami e o Incidente de Newhall, bem como a análise de dados sobre policiais mortos num período de 20 anos.


Como surgiu o título?

O título surgiu da terminologia inglesa police survival, tema que surgiu nos Estados Unidos por ocasião do Incidente de Newhall, que vitimou quatro patrulheiros numa única ocorrência. É também uma referência ao blog aonde publico artigos de interesse policial desde 2009.


Se você tivesse que fazer tudo de novo, você mudaria alguma coisa em seu livro?

Felizmente, o livro foi lançado pelo Clube de Autores, já incluindo o material que seria divulgado por ocasião da publicação de uma possível segunda edição. O livro é um alerta para a falta de dados, pesquisas e informações confiáveis sobre as mortes de policiais brasileiros, não só em confrontos armados, mas em outros tipos de acidentes.


Existe alguma coisa que você encontra particularmente desafiadora em sua escrita?

O mais desafiador é encontrar material, literatura policial nacional. Existem algumas iniciativas de outros policiais escritores, mas que carecem da devida publicidade e interesse do próprio público (muitas dessas obras foram citadas no livro, até como forma de divulgação).


Qual foi a parte mais difícil de escrever seu livro?

A parte mais difícil foi dividir o tempo entre o trabalho, os estudos, a família e outras demandas pessoais.


Quais autores são referência para o seu trabalho?

Apesar de a literatura ser inédita no Brasil, tenho grande consideração por aqueles que compreendem a necessidade de estar pronto para a hora da verdade, independente do nome ou da nacionalidade. De qualquer forma, é de se louvar o trabalho desenvolvido pelo FBI, pelo NYPD (Departamento de Polícia de Nova Iorque), pelo CHP (Polícia Rodoviária da Califórnia) e outros departamentos de polícia americanos e algumas instituições policiais brasileiras que iniciam algum trabalho na área da sobrevivência policial, contando com o serviço voluntário de seus policiais.


No que você está trabalhando agora? Pode nos contar qual sua inspiração para o próximo livro?

Agora vou iniciar os estudos para o terceiro livro do projeto inicial, ou seja, o Estresse e o Confronto Armado, que espero publicar pelo Clube de Autores. Também tenho investido em equipamentos e aprendizado para melhorar o canal no YouTube, que pretendo utilizar como ferramenta para divulgação de conteúdo policial. E aproveitando a oportunidade, tenho um plano de disponibilizar a palestra Autodefesa como curso online, assim o conhecimento pode alcançar maior número de pessoas e melhorar a segurança delas.


Que livros mais influenciaram a sua vida?

Nenhum livro chegou a influenciar minha vida, mas a leitura de centenas de artigos escritos por policiais e pesquisadores da área que abriram os horizontes da minha experiência profissional e como autor do livro Autodefesa e Sobrevivência Policial. Infelizmente, todos os artigos são estrangeiros, o que demonstra como estamos atrasados na produção de dados e conhecimento policial. Além disso, foi o convívio e o aprendizado que tive com magníficos Agentes da Polícia Federal, Policiais Militares e Policiais Civis durante esses 21 anos de atividade policial.


Que livro você está lendo agora?

Agora estou lendo o livro Soldados – Sobre lutar, matar e morrer.


Quem é o seu autor favorito e o que é que realmente impressiona sobre o seu trabalho?

Meu autor predileto é o FBI (Federal Bureau of Investigation), seus relatórios, pesquisas, artigos e boletins. O trabalho desenvolvido pelo FBI é um manancial de conhecimento sobre a atividade policial. A capacidade de pesquisa do órgão é tão relevante que outras instituições policiais americanas simplesmente tomam nota sobre os resultados, pois consideram que se funciona para o FBI, também funciona para elas.


Você tem algum conselho para os outros escritores?

Nunca desista! Não perca seu tempo com grandes editoras; não perca seu dinheiro com editoras por demanda; publique por conta própria nas plataformas de autopublicação, como o Clube de Autores e a Amazon Brasil.


Você tem alguma coisa específica que queira dizer a seus leitores?

Leiam o livro e fiquem a salvo.


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