sábado, 18 de abril de 2020

Se não tem nada bom pra falar...

Minha esposa tem uma frase: Se você não tem nada bom pra falar, fica calado! Ouço isso às vezes. Às vezes!

Então um clube de tiro fez um vídeo sobre segurança e conduta no estande. A iniciativa foi bem até certo ponto.

Num momento do vídeo, o instrutor realizou a inspeção da arma apontando pra caixa de areia.

Mas quando se virou pra câmera, perdeu o controle de cano. Isso é compreensível: certas pessoas perdem a atenção num aspecto do comportamento quando direcionam seu foco pra outra necessidade.

Mas alguém que manuseia uma arma precisa entender essa dinâmica e se esforçar pra manter a segurança mesmo com a atenção noutra coisa.

E como fazer? Se você tem que interagir com os alunos, há 4 opções pra arma fria:
  1. Coldreie e use as mãos.
  2. Use um simulacro.
  3. Use a arma sem apontar pra ninguém. Não se quebra a segurança pra mostrar erros de conduta.
  4. Use indicadores de câmara vazia (Safe Gun Indicator, ShotBlock, Barrel Blok, Safety Rod Barrel).
Então ao entrar no estande, o instrutor apontou a arma aberta pro tórax e disse que era possível adotar aquela postura pra ingressar no box.

Daí ele citou algumas regras de segurança, dentre elas a de que toda arma deve ser considerada carregada sempre. Então que invenção é essa de apontar o cano para o peito?!

Após a inspeção, basta coldrear a arma! Daí ela fica no local correto e as mãos ficam livres.

No final, ele disse que o atirador deveria inserir uma munição na câmara, coldrear antes de sair do box e deixar o clube.

Só que a caixa de areia fora do estande serve pra esquentar a arma também. Se um disparo ocorrer, será na caixa e onde não há pessoas por perto. No estande (box, linha de tiro), você entra e sai com a arma fria.

Você se lembra da frase da minha esposa?! Pois bem! E quando alguém não tem nada bom pra inventar?

Atirando deitado

Quando você aprende a atirar com uma arma de fogo, recebe uma aula sobre os fundamentos do tiro. E dentre eles está a base.

Você também aprende algumas posições de tiro (Weaver, Isóceles, Isóceles Modificada, Bill Jordan, FBI Crouch, Punch Ayoob, 4/Stress, Applegate, Center Axis Relock e por aí vai).

E lhe é mostrado que você pode disparar sua arma de pé (a mais praticada), agachado, sentado, ajoelhado (com um ou os dois joelhos no chão), deitado (de costas, de lado, de bruços).

Como tudo na vida, cada uma dessas posições tem vantagens e desvantagens.

Mas tudo isso depende, fundamentalmente, da situação que você está vivenciando. Ou seja, a sua plataforma de tiro é aquela na qual você se encontra no momento da necessidade, em que pese os pontos negativos.

Mas uma plataforma aparentemente ruim não invalida sua habilidade no tiro. Se você tem uma empunhadura consistente e consegue orientar sua arma na direção certa (noção espacial, cinestesia), será capaz de ser bem sucedido.

Feito isso, seu compromisso passa a ser alcançar uma plataforma melhor.
Isso indica que todo policial deve aprender posições incomuns de tiro, além dos métodos tradicionais.

Por exemplo, atirar caindo, cair para atirar, atirar para ficar de pé, atirar enquanto fica de pé.

O policial precisa experimentar o inusitado (até aonde a segurança permitir) pra perceber que pode se salvar mesmo estando numa condição fora do “padrão”.

No fim das contas, se o policial sobreviveu é porque fez a coisa certa.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Lavando a munição

Ao fazer a exclusão diária de inúmeras mensagens no Whatsapp, decidi abrir um pequeno vídeo.

Quando acabou, fiquei pensando se era uma brincadeira...

O vídeo mostrava uma pessoa ensinando como esterilizar a munição pra evitar um contágio viral.

Com todas as munições num pote, a pessoa encheu o recipiente com água, adicionou detergente e lavou todos os cartuchos. Além de sugerir que o procedimento fosse feito antes e após o trabalho, a pessoa informou que lavar a munição não provocaria dano.

Um amigo costuma dizer a seguinte frase: “Eu não acho nada! Ou eu sei ou estudo pra saber!”

Grosso modo, existem dois componentes num cartucho que não combinam com água, umidade ou qualquer outro contaminante: a espoleta e a pólvora. Dizer isso aqui é “chover no molhado”, aproveitando o trocadilho.

Por mais que o fabricante use artifícios pra dificultar a contaminação da munição, é prudente reconhecer que a água e a umidade podem encontrar uma brecha microscópica pra acessar a espoleta e a pólvora.

Por essa e outras razões, o fabricante sugere que a munição seja trocada a cada 6 meses, caso tenha sido guardada fora da embalagem original. E mesmo numa embalagem original lacrada, a validade é de 10 anos, desde que obedecidos os critérios de temperatura e UMIDADE.

Então o policial recebeu a munição; inseriu no carregador; inseriu um cartucho na câmara; andou pra lá e pra cá; transpirou; manuseou a munição; deixou cair no chão, limpou ou não a arma, etc. Ele fez isso durante meses (ou anos).

Armas foram feitas pra situações de vida ou morte, lançando um projétil no espaço...blá, blá, blá... (você já sabe o conceito). Mas se o projétil não sair da arma, você só está ocupando suas mãos com um pedaço de metal inútil.

E basta que apenas um cartucho falhe pra que o policial fique numa condição pior ainda, considerando a frequência, a duração e a intensidade do treinamento policial.

Arma de fogo, munição, trabalho policial e instrução de tiro profissional são coisas sérias. Porque a vida é coisa séria!

Portanto, limpe a arma, higienize as mãos, mas nunca lave a sua munição.