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Numa ocorrência, mais conhecida porque o
policial jogou a espingarda no chão para tentar uma transição de armas, o
que chamou minha atenção foi o excesso de equipamentos.
É natural um ganho de peso com os anos, mesmo você se mantendo em forma. Aí vão alguns quilos!
Agora some o colete balístico (raramente feito para as necessidades policiais) e o coturno (uma aberração para o uso policial).
Adicione
um coldre de perna e uma bolsa presa na perna oposta para que a
mobilidade e a velocidade diminuam e o esforço aumente. Justamente
aquilo que o policial precisa para alcançar, superar o agressor e se
defender.
Mas ainda não acabou! Não raro vejo colegas portando cantis e facas de combate.
O
problema é que herdamos características das forças armadas que não são
consistentes com a função policial. E isso precisa mudar!
Então, você deve se perguntar se precisa de TODOS os equipamentos durante o trabalho.
Será
que o policial brasileiro não pode manter certas ferramentas na
viatura? Ele não consegue ter uma garrafa d'água ou um Camelbak dentro
do veículo? É preciso tanta tralha no trabalho policial urbano?
Uma
coisa é certa: as polícias precisam repensar seus uniformes, viaturas,
equipamentos, armas, procedimentos, sistemas de comunicação e filmagem
individual com visão moderna, adequada, inteligente e eficaz.
E o
policial precisa compreender que, embora tenha que lutar pra viver e
trazer a paz, ele não vai marchar 40 km ou passar 30 dias num campo.
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Policial, Policiais: coletânea e Policiais: coletânea 2.
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#morrernaofazpartedoplano
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Com a expansão dos CFTV, tenho visto diversas reações de policiais em confrontos armados. E o que já se sabia de modo intuitivo tem ficado mais evidente.
Finalmente, há uma fenômeno chamado
"momentum operacional". Ele diz que é difícil parar um movimento após
ter sido iniciado. Apesar de estar relacionado a alguns aspectos do
trabalho policial, em especial ao movimento para o saque e o tiro, o
conceito ainda pode ser aplicado no caso do tiro apenas com a mão
dominante e ao fato das pessoas não conseguirem largar os objetos que
carregam com a mão não dominante.
Portanto, o momentum operacional dificultaria a soltura de um objeto que já está sendo empunhado durante a reação armada.
Então,
treinar a soltura de alguma coisa durante o saque da arma pode
contrariar o conceito acima e se tornar uma medida inconsistente com as
dinâmicas que a realidade tem nos mostrado.
Quem nunca cometeu uma falha durante o trabalho policial que levante a mão!
Algumas
vezes fazemos aquilo que "prometemos" não fazer, ou ignoramos,
intencionalmente, nossa intuição para seguir o caminho mais fácil e
rápido.
Mas o grande vilão é quando o erro sem consequência se
torna um hábito. O maior vilão, contudo, é o desastre esquecido. Até
lembramos os nomes e a ocorrência, mas não a lição deixada.
Se missão dada é missão cumprida, lição deixada deveria ser lição aprendida.
Daí, esse hábito (rotina), e o mal que ele pode causar, desaparecem pouco a pouco.
Invisível
aos próprios olhos, não conseguimos mais perceber esses erros. E um
ditado afirma que "aquilo que não é visto não é lembrado".
E se não lembramos os nossos erros, dificilmente faremos algum esforço para corrigi-los.
Durante
uma viagem, notei que o colega não usava o cinto de segurança. Contei o
caso de um policial morto ao ser ejetado do carro e bater a cabeça, bem
como o resultado da investigação. No final do relato, pedi ao meu
passageiro que colocasse o cinto. Então ele olhou pra mim por um
instante e ignorou o pedido.
Com a cegueira da rotina, nossos
erros não são notados. Mas isso não significa que criminosos não estejam
plenamente cientes deles.
E a oportunidade e a vontade fazem os ladrões e os assassinos de policiais.