segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Posição do polegar no tiro com uma mão

 

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domingo, 18 de julho de 2021

Treino com a Taurus TS9

 
 
Na minha percepção, a Taurus TS9 surprende em ergonomia, gatilho, carregadores e desenho.

Ela teve excelente acurácia a 10m e 15m (distâncias testadas). E nenhuma falha ocorreu antes ou durante os tiros.

O gatilho e sua trava são largos permitindo boa acomodação do dedo. O alojamento do gatilho tem bom espaço e o reset é macio.

O indicador de munição na câmara é bem visível e não exige o cheque de alimentação.

Apesar de permitir a localização e o acionamento rápidos, o comprimento maior do retém do ferrolho impediu que a arma parasse aberta após o último tiro algumas vezes. O mesmo ocorre em outras armas, e é preciso atenção à posição do polegar.

O peso é perceptível, porém o beavertail aprofundado permite um bom encaixe da mão, melhorando o equilíbrio.

O retém do carregador é ambidestro, o que exige uma pequena mudança na empunhadura para as recargas. Mesmo com o cano voltado totalmente pra cima, o carregador é ejetado.

O recorte pra apoio do polegar da mão não dominante poderia ser mais comprido e ter a mesma aspereza do punho.

O carregador não é volumoso, tem marcações fáceis de visualizar, a base não tem áreas pontiagudas e é facil de municiar. Só cuidado com os lábios que são expostos.

Como a janela de ejeção é lateral, a inspeção visual de segurança deve ser bem feita, já que não é viável a inspeção tátil.

O sistema de demontagem é fácil, mas não é novo, diga-se de passagem. Um botão de desmontagem no alojamento do gatilho já foi usado na pistola HK P9S.

Pouca sujeira foi encontrada na rampa de alimentação e no cano. Porém o extrator deve ser limpo com atenção (nada que a escova de dentes não resolva).

Se eu gostei de treinar com a TS9? Sim, tanto no tiro preciso quanto no rápido com ou sem visada!

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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Muita tralha

 

 Numa ocorrência, mais conhecida porque o policial jogou a espingarda no chão para tentar uma transição de armas, o que chamou minha atenção foi o excesso de equipamentos.

É natural um ganho de peso com os anos, mesmo você se mantendo em forma. Aí vão alguns quilos!

Agora some o colete balístico (raramente feito para as necessidades policiais) e o coturno (uma aberração para o uso policial).

Adicione um coldre de perna e uma bolsa presa na perna oposta para que a mobilidade e a velocidade diminuam e o esforço aumente. Justamente aquilo que o policial precisa para alcançar, superar o agressor e se defender.

Mas ainda não acabou! Não raro vejo colegas portando cantis e facas de combate.

O problema é que herdamos características das forças armadas que não são consistentes com a função policial. E isso precisa mudar!

Então, você deve se perguntar se precisa de TODOS os equipamentos durante o trabalho.

Será que o policial brasileiro não pode manter certas ferramentas na viatura? Ele não consegue ter uma garrafa d'água ou um Camelbak dentro do veículo? É preciso tanta tralha no trabalho policial urbano?

Uma coisa é certa: as polícias precisam repensar seus uniformes, viaturas, equipamentos, armas, procedimentos, sistemas de comunicação e filmagem individual com visão moderna, adequada, inteligente e eficaz.

E o policial precisa compreender que, embora tenha que lutar pra viver e trazer a paz, ele não vai marchar 40 km ou passar 30 dias num campo.

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sábado, 12 de dezembro de 2020

Tiro com uma mão

 

Com a expansão dos CFTV, tenho visto diversas reações de policiais em confrontos armados. E o que já se sabia de modo intuitivo tem ficado mais evidente.

Falo da reação usando só uma mão, o que contraria o modo ideal de empunhar a arma com a empunhadura dupla.

Pensando nisso, eu me fiz três perguntas: por que muitos policiais reagem apenas com uma mão? Por que não soltam os objetos que estão segurando numa das mãos, mesmo durante o perigo? E se nós realmente fazemos sempre aquilo que treinamos... se isso é uma verdade absoluta.

Penso que é verdade para os grupos de operações especiais, pois parte do trabalho deles é treinar. Eles treinam, planejam, passam o briefing, operam de forma coesa e fazem o debriefing. Ou seja, eles têm cinco momentos de aprendizagem.

Mas isso não é uma verdade para a maioria dos policiais. Nesse caso, é possível que o policial não tenha experimentado atirar com uma mão durante o curso de formação. E os que tiveram a sorte de executar algum exercício, o tenham feito de modo inconsistente.

Então, para responder a primeira pergunta é preciso saber que o instinto se sobrepõe à razão quando o risco de morte é imediato. Ele força o policial a reagir da forma que for possível no pouco tempo que resta: quando ele é pego de surpresa, está próximo do agressor e sem proteção.

A ideia é reagir, ainda que com alguma imperfeição, pois para ser rápido o instinto não pode se dar ao luxo de ser perfeito. Por isso, muitos não conseguem usar as miras ou erram alguns tiros.

Mesmo quando há opção, o instinto vai escolher a ação mais rápida e descartar o que foi treinado, conforme os critérios de tempo, distância, proteção e surpresa.

Isso explica porque o policial reage apenas com uma mão, ainda que atirar com as duas seja melhor e faça parte da formação e do treino.

E por que não largamos os objetos nas situações críticas? Uma das coisas que diferencia a espécie humana é a destreza manual, a habilidade pra segurar e manipular os objetos. E nós usamos muito essa habilidade: nos agarramos quando perdemos o equilíbrio, tentamos pegar algo que está caindo, quase num ato reflexo.

Isso reforça o aprendizado de que as mãos servem para segurar e não para largar as coisas. E como a mente sabe que não é preciso usar as duas mãos para atirar, se você reagir num tempo curto, não vai largar o que está segurando.

A sua mente também vai estar tão focada na reação que é possível que ela ignore o objeto que você está segurando.

Além disso, durante o estresse, há uma perda na habilidade motora e você vai experimentar um declínio na destreza manual, necessária pra realizar várias tarefas ao mesmo tempo, como largar o objeto enquanto saca a arma.

Outro motivo é a coordenação bimanual. Quando o nível de atenção é direcionado para a mão dominante há uma queda de desempenho na execução do movimento da mão oposta. E não podemos esquecer do reflexo intermembros.

Portanto, o que nós, instrutores, podemos fazer? Incorporar essa realidade nos treinos e cursos. O aluno deve atirar com as duas mãos, já que isso é básico. Mas sacar, apresentar e atirar usando apenas uma mão também é fundamental e uma realidade.

Finalmente, há uma fenômeno chamado "momentum operacional". Ele diz que é difícil parar um movimento após ter sido iniciado. Apesar de estar relacionado a alguns aspectos do trabalho policial, em especial ao movimento para o saque e o tiro, o conceito ainda pode ser aplicado no caso do tiro apenas com a mão dominante e ao fato das pessoas não conseguirem largar os objetos que carregam com a mão não dominante.

Portanto, o momentum operacional dificultaria a soltura de um objeto que já está sendo empunhado durante a reação armada.

Então, treinar a soltura de alguma coisa durante o saque da arma pode contrariar o conceito acima e se tornar uma medida inconsistente com as dinâmicas que a realidade tem nos mostrado.

Quem nunca errou?

Quem nunca cometeu uma falha durante o trabalho policial que levante a mão!

Algumas vezes fazemos aquilo que "prometemos" não fazer, ou ignoramos, intencionalmente, nossa intuição para seguir o caminho mais fácil e rápido.

Mas o grande vilão é quando o erro sem consequência se torna um hábito. O maior vilão, contudo, é o desastre esquecido. Até lembramos os nomes e a ocorrência, mas não a lição deixada.

Se missão dada é missão cumprida, lição deixada deveria ser lição aprendida.

Daí, esse hábito (rotina), e o mal que ele pode causar, desaparecem pouco a pouco.

Invisível aos próprios olhos, não conseguimos mais perceber esses erros. E um ditado afirma que "aquilo que não é visto não é lembrado".

E se não lembramos os nossos erros, dificilmente faremos algum esforço para corrigi-los.

Durante uma viagem, notei que o colega não usava o cinto de segurança. Contei o caso de um policial morto ao ser ejetado do carro e bater a cabeça, bem como o resultado da investigação. No final do relato, pedi ao meu passageiro que colocasse o cinto. Então ele olhou pra mim por um instante e ignorou o pedido.

Com a cegueira da rotina, nossos erros não são notados. Mas isso não significa que criminosos não estejam plenamente cientes deles.

E a oportunidade e a vontade fazem os ladrões e os assassinos de policiais.