quinta-feira, 29 de julho de 2021
domingo, 18 de julho de 2021
Treino com a Taurus TS9
Ela teve excelente acurácia a 10m e 15m (distâncias testadas). E nenhuma falha ocorreu antes ou durante os tiros.
O gatilho e sua trava são largos permitindo boa acomodação do dedo. O alojamento do gatilho tem bom espaço e o reset é macio.
O indicador de munição na câmara é bem visível e não exige o cheque de alimentação.
Apesar de permitir a localização e o acionamento rápidos, o comprimento maior do retém do ferrolho impediu que a arma parasse aberta após o último tiro algumas vezes. O mesmo ocorre em outras armas, e é preciso atenção à posição do polegar.
O peso é perceptível, porém o beavertail aprofundado permite um bom encaixe da mão, melhorando o equilíbrio.
O retém do carregador é ambidestro, o que exige uma pequena mudança na empunhadura para as recargas. Mesmo com o cano voltado totalmente pra cima, o carregador é ejetado.
O recorte pra apoio do polegar da mão não dominante poderia ser mais comprido e ter a mesma aspereza do punho.
O carregador não é volumoso, tem marcações fáceis de visualizar, a base não tem áreas pontiagudas e é facil de municiar. Só cuidado com os lábios que são expostos.
Como a janela de ejeção é lateral, a inspeção visual de segurança deve ser bem feita, já que não é viável a inspeção tátil.
O sistema de demontagem é fácil, mas não é novo, diga-se de passagem. Um botão de desmontagem no alojamento do gatilho já foi usado na pistola HK P9S.
Pouca sujeira foi encontrada na rampa de alimentação e no cano. Porém o extrator deve ser limpo com atenção (nada que a escova de dentes não resolva).
Se eu gostei de treinar com a TS9? Sim, tanto no tiro preciso quanto no rápido com ou sem visada!
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terça-feira, 15 de dezembro de 2020
Muita tralha
Numa ocorrência, mais conhecida porque o
policial jogou a espingarda no chão para tentar uma transição de armas, o
que chamou minha atenção foi o excesso de equipamentos.
É natural um ganho de peso com os anos, mesmo você se mantendo em forma. Aí vão alguns quilos!
Agora some o colete balístico (raramente feito para as necessidades policiais) e o coturno (uma aberração para o uso policial).
Adicione
um coldre de perna e uma bolsa presa na perna oposta para que a
mobilidade e a velocidade diminuam e o esforço aumente. Justamente
aquilo que o policial precisa para alcançar, superar o agressor e se
defender.
Mas ainda não acabou! Não raro vejo colegas portando cantis e facas de combate.
O
problema é que herdamos características das forças armadas que não são
consistentes com a função policial. E isso precisa mudar!
Então, você deve se perguntar se precisa de TODOS os equipamentos durante o trabalho.
Será
que o policial brasileiro não pode manter certas ferramentas na
viatura? Ele não consegue ter uma garrafa d'água ou um Camelbak dentro
do veículo? É preciso tanta tralha no trabalho policial urbano?
Uma
coisa é certa: as polícias precisam repensar seus uniformes, viaturas,
equipamentos, armas, procedimentos, sistemas de comunicação e filmagem
individual com visão moderna, adequada, inteligente e eficaz.
E o
policial precisa compreender que, embora tenha que lutar pra viver e
trazer a paz, ele não vai marchar 40 km ou passar 30 dias num campo.
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sábado, 12 de dezembro de 2020
Tiro com uma mão
Com a expansão dos CFTV, tenho visto diversas reações de policiais em confrontos armados. E o que já se sabia de modo intuitivo tem ficado mais evidente.
Falo da reação usando só uma mão, o que contraria o modo ideal de empunhar a arma com a empunhadura dupla.
Pensando nisso, eu me fiz três perguntas: por que muitos policiais reagem apenas com uma mão? Por que não soltam os objetos que estão segurando numa das mãos, mesmo durante o perigo? E se nós realmente fazemos sempre aquilo que treinamos... se isso é uma verdade absoluta.
Penso que é verdade para os grupos de operações especiais, pois parte do trabalho deles é treinar. Eles treinam, planejam, passam o briefing, operam de forma coesa e fazem o debriefing. Ou seja, eles têm cinco momentos de aprendizagem.
Mas isso não é uma verdade para a maioria dos policiais. Nesse caso, é possível que o policial não tenha experimentado atirar com uma mão durante o curso de formação. E os que tiveram a sorte de executar algum exercício, o tenham feito de modo inconsistente.
Então, para responder a primeira pergunta é preciso saber que o instinto se sobrepõe à razão quando o risco de morte é imediato. Ele força o policial a reagir da forma que for possível no pouco tempo que resta: quando ele é pego de surpresa, está próximo do agressor e sem proteção.
A ideia é reagir, ainda que com alguma imperfeição, pois para ser rápido o instinto não pode se dar ao luxo de ser perfeito. Por isso, muitos não conseguem usar as miras ou erram alguns tiros.
Mesmo quando há opção, o instinto vai escolher a ação mais rápida e descartar o que foi treinado, conforme os critérios de tempo, distância, proteção e surpresa.
Isso explica porque o policial reage apenas com uma mão, ainda que atirar com as duas seja melhor e faça parte da formação e do treino.
E por que não largamos os objetos nas situações críticas? Uma das coisas que diferencia a espécie humana é a destreza manual, a habilidade pra segurar e manipular os objetos. E nós usamos muito essa habilidade: nos agarramos quando perdemos o equilíbrio, tentamos pegar algo que está caindo, quase num ato reflexo.
Isso reforça o aprendizado de que as mãos servem para segurar e não para largar as coisas. E como a mente sabe que não é preciso usar as duas mãos para atirar, se você reagir num tempo curto, não vai largar o que está segurando.
A sua mente também vai estar tão focada na reação que é possível que ela ignore o objeto que você está segurando.
Além disso, durante o estresse, há uma perda na habilidade motora e você vai experimentar um declínio na destreza manual, necessária pra realizar várias tarefas ao mesmo tempo, como largar o objeto enquanto saca a arma.
Outro motivo é a coordenação bimanual. Quando o nível de atenção é direcionado para a mão dominante há uma queda de desempenho na execução do movimento da mão oposta. E não podemos esquecer do reflexo intermembros.
Portanto, o que nós, instrutores, podemos fazer? Incorporar essa realidade nos treinos e cursos. O aluno deve atirar com as duas mãos, já que isso é básico. Mas sacar, apresentar e atirar usando apenas uma mão também é fundamental e uma realidade.
Finalmente, há uma fenômeno chamado
"momentum operacional". Ele diz que é difícil parar um movimento após
ter sido iniciado. Apesar de estar relacionado a alguns aspectos do
trabalho policial, em especial ao movimento para o saque e o tiro, o
conceito ainda pode ser aplicado no caso do tiro apenas com a mão
dominante e ao fato das pessoas não conseguirem largar os objetos que
carregam com a mão não dominante.
Portanto, o momentum operacional dificultaria a soltura de um objeto que já está sendo empunhado durante a reação armada.
Então,
treinar a soltura de alguma coisa durante o saque da arma pode
contrariar o conceito acima e se tornar uma medida inconsistente com as
dinâmicas que a realidade tem nos mostrado.
Quem nunca errou?
Quem nunca cometeu uma falha durante o trabalho policial que levante a mão!
Algumas
vezes fazemos aquilo que "prometemos" não fazer, ou ignoramos,
intencionalmente, nossa intuição para seguir o caminho mais fácil e
rápido.
Mas o grande vilão é quando o erro sem consequência se
torna um hábito. O maior vilão, contudo, é o desastre esquecido. Até
lembramos os nomes e a ocorrência, mas não a lição deixada.
Se missão dada é missão cumprida, lição deixada deveria ser lição aprendida.
Daí, esse hábito (rotina), e o mal que ele pode causar, desaparecem pouco a pouco.
Invisível
aos próprios olhos, não conseguimos mais perceber esses erros. E um
ditado afirma que "aquilo que não é visto não é lembrado".
E se não lembramos os nossos erros, dificilmente faremos algum esforço para corrigi-los.
Durante
uma viagem, notei que o colega não usava o cinto de segurança. Contei o
caso de um policial morto ao ser ejetado do carro e bater a cabeça, bem
como o resultado da investigação. No final do relato, pedi ao meu
passageiro que colocasse o cinto. Então ele olhou pra mim por um
instante e ignorou o pedido.
Com a cegueira da rotina, nossos
erros não são notados. Mas isso não significa que criminosos não estejam
plenamente cientes deles.
E a oportunidade e a vontade fazem os ladrões e os assassinos de policiais.
Cheque de ambiente
Quantos cursos de tiro sugerem que o aluno olhe para trás após a série de tiros?
Certamente, você já participou de algum; girou a cabeça em direção aos ombros esquerdo e direito, e olhou para trás.
Mas olhar é diferente de VER, em especial se não há nada que chame a sua atenção. Então, no fim das contas, olhar para trás é uma parte imperfeita do exercício e mera estética de estande.
E não é raro perceber o atirador fazendo o "tático" e errando o básico. Isso pode ser mais uma falha de instrução do que um comportamento inadequado do colega. E isso vai continuar ocorrendo enquanto as coisas forem copiadas em vez de pensadas.
O mundo é tridimensional e o campo de tiro tem 360°. Olhar para trás, logo após o fim da série, força o atirador a ignorar o que pode estar próximo ou além do alvo, bem como suprimir a chance do perigo estar ao lado do policial.
Daí a dinâmica foca no alvo e naquilo que pode estar atrás do atirador, somente. E isso tem sido feito sempre após uma certa quantidade de tiros, como se o número de disparos fosse a chave para a checagem da retaguarda.
Só que essa decisão deve ser do policial, conforme sua percepção do alvo e a leitura do seu campo imediato de tiro, ou seja, aquilo que está no seu horizonte.
Então, a avaliação do ambiente 360° envolve o MOVIMENTO COMPLETO do atirador, no sentido de MUDANÇA DE POSIÇÃO, e não apenas um giro de cabeça.
Se olhar para trás tem aplicação limitada, é preciso executar essa tarefa num estande a toda hora? Penso que não, embora alguns amigos entendam que isso "quebre" a visão em túnel e sirva de lembrete sobre a chance de haver outros alvos.
Assim, o melhor momento para treinar a avaliação do ambiente é quando você está treinando sozinho. Isso permite que você se movimente, mude de posição pra VER tudo ao seu redor e considere barricadas próximas, sem colocar pessoas na linha de tiro.
Você também pode inserir alvos secundários em posições diferentes para ter algo pra procurar e prestar atenção. Dependendo da posição no estande, você ainda pode atirar neles e complementar seu treino.
Mas se você vai só girar a cabeça no treino, talvez seja mais proveitoso se concentrar na sua habilidade de tiro.


