sábado, 12 de dezembro de 2020

Abordando à paisana


A notícia preliminar diz que um guarda civil abordou um homem que andava pela rua em traje civil.

Mas o homem era um policial. Se o guarda civil (GC) estivesse uniformizado e com outro colega numa viatura caracterizada, o evento teria outro fim.

O GC para o carro particular no meio da rua e abre a porta. Por alguma razão, o abordado faz meia volta e vai até o carro. Pouco tempo depois, ele saca a arma e dispara contra o motorista, que também atira. Ambos são atingidos num confronto que dura cerca de dois segundos.

O GC consegue sair do carro, mas só para cair no chão. O policial, atingido duas vezes no tórax, continua de pé e anda pelo local.

No livro Sobrevivência Policial, trato isso como ERRO DE IDENTIDADE, quando policiais à paisana são confundidos e acabam vítimas da própria polícia.

Contudo, não sabemos o que levou nosso colega GC a agir, nem o que passou pela mente do colega policial na hora em que decidiu atirar.

Infelizmente, para os dois só restam nossas orações. Mas qualquer evento sempre deixa seu legado para os demais policiais. Daí, não é uma análise do que eles poderiam ter feito, mas o que NÓS podemos fazer.

Aprendemos a não trabalhar sozinhos. Se o princípio serve para o trabalho, que já é perigoso, se aplica ainda mais para a folga, quando o risco é maior.

Incutimos em nossas mentes que somos caçadores, predadores, cães pastores, guerreiros e combatentes. Isso não significa que devemos entrar numa guerra com grande chance de perder. Ou melhor, o ímpeto para vencer a batalha pode fazer você perder a guerra.

Abordar alguém enquanto se está dentro da viatura não é adequado, pois as amarras que limitam o movimento e a visualização da ocorrência ainda estão atuando.

Além disso, é preciso uma avaliação apurada antes de uma interferência. Criminosos agem em grupo. Assim é pouco provável que um homem sozinho, andando na rua, cuidando da vida e dos pensamentos, se encaixe num comportamento suspeito.

Se há dúvida, a sugestão é que você pare o carro e observe o "suspeito". Siga-o de longe, como numa vigilância. Se a suspeita for GRANDE, ligue 190.

Obs.: tudo muda quando você percebe que vai ser abordado por suspeitos. Por isso, policiais à paisana devem usar distintivos durante o trabalho para não serem confundidos, caso abordem um colega de folga ou sejam abordados por policiais uniformizados.

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