quinta-feira, 23 de abril de 2009

Quanto vale a sua vida? Pergunte a quem te ama!

Recentemente, um policial me perguntou qual é a melhor maneira para se portar uma arma de fogo quando se está à paisana: se na pochete ou a tiracolo.

Bem, isso depende de quanto dinheiro você está disposto a investir.

Se você possui um plano de assistência funerária, sua família não terá nenhuma despesa com seu enterro, pois você já pagou a despesa antecipadamente, que, diga-se de passagem, pode variar de R$ 1.450,00 (plano simples) a R$ 17.280,00 (plano luxuoso).

Porém, sem um plano funeral os custos ainda podem ser altos. Um funeral simples pode ser feito por apenas R$ 300,00. Mas, se seus familiares desejarem algo melhor pra você, os gastos podem chegar a R$ 7.480,00. Nos dois casos estão incluídos a remoção, a limpeza e tamponamento do seu corpo; o caixão, flores, véu, velas, castiçais e a coroa. O que muda é o tipo de material usado, podendo ser o mais simples ou o mais aprimorado e moderno.

Para realizar o velório numa capela de um cemitério, sua família precisa pagar uma taxa de R$ 50,00. Se você já possui um túmulo, “ótimo”! Entretanto, para comprar o jazigo, talvez alguém tenha que gastar R$ 600,00 por um jazigo simples ou R$ 1.500,00 por um duplo. A maioria das pessoas provavelmente escolhe comprar o jazigo simples.

O mármore ou granito que revestirá seu túmulo pode custar de R$ 1.700,00 a R$ 4.000,00, dependendo do tipo de material e o modelo da lápide. E ainda tem o padre e a missa de sétimo dia...

Então, serão utilizados ao menos R$ 2.650,00 no seu enterro, considerando R$ 300,00 pelo funeral simples, R$ 50,00 pela capela, R$ 600,00 pelo jazigo simples e R$ 1.700,00 pela lápide simples.

Agora, do mesmo modo que seus familiares podem escolher entre um funeral simples ou aprimorado, você também pode escolher um coldre molambento, uma pochete “saque rápido” ou pode comprar um coldre importado de polímero por R$ 99,00 e um porta-carregador duplo também por R$ 99,00. No total, isso vai lhe custar R$ 198,00, quer dizer, bem mais barato que seu enterro. E não adianta comparar com o seu salário, pois ainda assim é mais barato!

Armas não combinam com pochetes ou bolsas a tiracolo. E o motivo é simples: se você for pego de surpresa, o que você acha que o assaltante vai tomar de você primeiro? Ele vai tomar sua bolsa, sua pochete, e depois as outras coisas. Então, num piscar de olhos você vai perder a única ferramenta capaz de te dar alguma chance para salvar sua vida.

E o pior, se o criminoso for um assassino nato, e se ele perceber que sua pochete ou bolsa está mais pesada do que o normal, talvez ele a abra. Se ele fizer isso, talvez atire em você simplesmente porque encontrou sua arma, mesmo que você já esteja rezando e implorando por sua vida.

Arma de fogo deve ser portada num coldre de qualidade e na cintura. O investimento parece caro, cerca de R$ 200,00, para um bom coldre de polímero. Contudo, ainda é mais barato que sua arma, muito mais barato que seu funeral, e sem comparação com a falta que você vai fazer para sua família.

Mas o que você precisa fazer para portar uma arma no coldre sem que pareça estar armado? Comprar camisas mais largas ainda, experimentá-las no vestiário da loja com a arma no coldre e na cintura. Simples assim!

Lembre-se, você não está num desfile de moda. Você está na polícia!

domingo, 5 de abril de 2009

Sua rotina pode ser mortal!

Imagine que você participou de um treinamento de autodefesa policial que incluiu estatísticas sobre policiais mortos, histórias terríveis sobre violência, e talvez um ou dois assassinatos gravados por circuitos de TV.

Você terminou o curso impressionado com o potencial de ser a próxima vítima do crime e da violência mesmo sendo um policial. Então, você fica alerta, consciente, observa as redondezas, sendo mais cauteloso sobre pessoas que considera potencialmente suspeitas. Mas, quantos dias você acha que isso vai durar?

Com o tempo, a ausência de consequências perigosas reais faz você relaxar. E apesar de você estar interessado na sua segurança e possuir o conhecimento do que deve ser feito, você não consegue agir adequadamente. Suas habilidades de sobrevivência, seu estado de alerta logo começam a desaparecer. Por quê?

Porque o cérebro está orientado para automatizar comportamentos repetitivos, pois é a maneira como os seres vivos trabalham. Muito do comportamento humano diário é automatizado, e isso acontece sem você perceber.

Psicólogos estimam que mais de 90% desse comportamento humano diário ocorre sem consciência ou pensamento deliberado. Atividades repetitivas tornam-se ações automáticas para liberar sua atenção para coisas que são novas, desconhecidas ou ameaçadoras. Se não fosse dessa maneira sua mente ficaria sobrecarregada e seria sobrepujada com a mais simples das tarefas.

Assim, pessoas expostas periodicamente a lugares altos reduzem seu medo de altura. Pessoas com dificuldade de falar em público sentem-se mais confiantes em frente desse público depois de exposições habituais. Do mesmo modo, pessoas que são rotineiramente expostas a situações potencialmente perigosas tornam-se menos cuidadosas em tais situações. Isso se chama habituação.

É bem verdade que o hábito ou a rotina facilita e põe ordem no seu trabalho e na sua vida, pois é sua experiência acumulada ao longo do tempo trabalhando para você de modo automático. Contudo, exposições habituais a determinadas ocorrências, mesmo que perigosas, entediam seu mecanismo de autodefesa. Então, a rotina trabalha contra você quando se é exposto muitas vezes a situações potencialmente arriscadas onde nada acontece, e depois de uns 10 anos, ela mata um número considerável de policiais.

De acordo com os relatórios anuais do FBI sobre policiais mortos e agredidos, o tempo médio de serviço dos policiais mortos nos Estados Unidos é de 10 anos, e a média de idade desses policiais é de 36 anos. Nem um “novinho”, nem um “antigão”, mas alguém no meio da carreira, se você considerar que um policial brasileiro precisa ter 20 anos de serviço estritamente policial para se aposentar.

“Nada é rotina!”, “Evite a rotina!” e “Os maiores inimigos do policial são: a rotina e o excesso de confiança!” são algumas das frases que nós, instrutores, repetimos desde que começamos a falar sobre sobrevivência policial. Mas, você já deve estar cansado de ouvir isso!

A realidade é que barreiras policiais, buscas e apreensões, prisões, entrega de intimações, entrevistas e interrogatórios, condução de presos e outras ocorrências onde nada acontece são, de fato, rotina. Você pode chamá-las do que quiser como “baixo risco”, “alto risco”, mas o nome não altera as mudanças inconscientes que ocorrem dentro da sua mente quando você realiza tarefas sem consequências centenas de vezes ao longo dos anos.

O fato é que palavras ou frases não protegem nem matam policiais. Mas, o que você precisa perceber é que atividades diárias realizadas repetidas vezes, ano após ano, tornam o risco inerente cada vez mais invisível, e quando isso acontece você tende a fazer uma de duas coisas: se torna complacente com os perigos dessas atividades ou aumenta sua exposição ao risco para satisfazer sua necessidade natural de emoção. As duas coisas caminham lado a lado e se complementam. Não é por acaso que a complacência e o comportamento de risco estão diretamente ligados a um grande número de policiais mortos não só por criminosos, mas também por acidentes.

Você também precisa entender que enquanto abordagens de modo geral tendem a ser a atividade mais comum, qualquer coisa pode se tornar rotina se feita muitas e muitas vezes sem que algo ocorra para estimular sua percepção de que qualquer operação é um evento desconhecido cheio de riscos e imprevistos.

Talvez você não acredite, mas o perigo, o risco e a incerteza são alguns componentes que tornam o trabalho policial atraente para muitos policiais ou pelo menos para os policiais natos. Por isso, eles têm não só certa tolerância ao perigo, mas uma verdadeira necessidade dele. Não é incomum esse tipo de policial se sentir desestimulado e “sem rumo” ao ser designado para atividades administrativas ou consideradas sem importância.

É fato que alguns policiais ajustam seu comportamento para manter a exposição ao risco no nível que precisam. Eu chamaria isso de regulador fatal.

Deste modo, se a rotina torna o risco existente na atividade policial invisível, você irá inevitavelmente assumir riscos adicionais. E isso acontece quando você não espera o reforço, avança um sinal vermelho sem diminuir a velocidade, entrega sozinho uma intimação, vai só ao encontro com um informante, algema o preso para frente ou não algema, dorme dentro da viatura, confia na denúncia anônima, etc. Mas a verdade é simples: quanto maior o risco assumido, maior a chance de você morrer.

Não estou dizendo que policiais querem ser mortos, mas eles procuram estar presentes em uma variedade de situações arriscadas ou não se sentem policiais. Afinal de contas, eles correm em direção ao perigo, e não ao lado da multidão em pânico.

O mesmo tende a ocorrer com a complacência. Nada melhora suas habilidades de sobrevivência quanto ter um criminoso tentando ferí-lo ou matá-lo. O problema com este tipo de “motivação” é que você se arrisca a ser ferido gravemente ou morto no mundo real. E essa não é uma espécie de motivação que faça qualquer sentido.

Portanto, é hora das organizações policiais introduzirem gradualmente treinamentos que previnam a complacência e o comportamento de risco independentemente do tempo de serviço dos policiais. Pois é tarefa de cada policial se preparar para estar no auge da capacidade de sobrevivência, não importando as vezes que você já atendeu o mesmo tipo de ocorrência, na mesma cidade, no mesmo bairro, no mesmo comércio, procurando pelo mesmo bandido de sempre, no mesmo beco, nestes últimos 10 anos.


Quer levar um tiro?

Depois de um dia de trabalho, um policial encerrou sua atividade, tirou o uniforme e voltou para casa. Enquanto dirigia seu carro, ele percebeu uma barreira policial logo à frente. Como profissional experiente, o policial reduziu a velocidade, baixou os vidros, desligou o farol – mantendo apenas o farolete – e tentou localizar algum colega para saber se seguia ou não seu caminho. Ele fez isso porque queria facilitar o trabalho dos colegas. Ele viu um policial ocupado, e então continuou dirigindo devagar. De repente, uma policial mandou que ele parasse enquanto gritava: “Num está vendo que é uma abordagem? Quer levar um tiro?”. Pronto! O policial parou o carro, se identificou e a confusão se instalou.

Parece fantasia, mas isso aconteceu realmente, e numa cidade do interior. E apesar de você, como policial, estar “acostumado” com o crime e a violência, nunca há espaço para entender e aceitar a brutalidade e o despreparo com os quais alguns colegas lhe abordam.

A narrativa releva três graves e tristes fatos em relação aos incontáveis desentendimentos entre colegas policiais.

O primeiro fato é que muitos policiais desconhecem a importância do seu trabalho para a sociedade. Assim, é preciso aprender e reconhecer que para se perpetuar a paz deve-se combater a violência, e não promovê-la desnecessariamente. Pouquíssimos homens são capazes de negar a necessidade de se combater os assassinos, os torturadores, os assaltantes, os ladrões, os estupradores, os traficantes, os contrabandistas, os falsificadores, os golpistas, os corruptos, etc. No mundo inteiro, o preço por esta democracia e pela civilização é pago por cada policial engajado neste confronto de vida ou morte. Assim, cada policial deve entender que seu dever fundamental é servir à sociedade; resguardar vidas e propriedades; proteger o inocente contra a artimanha; o fraco contra a intimidação; a tranquilidade contra a violência e a desordem; respeitando os direitos de todo cidadão em benefício da liberdade, da justiça e da paz. Portanto, no dever policial não há lugar para se combater outro policial.

O segundo fato é que sempre que um policial avança um sinal vermelho, faz um retorno proibido, dirige em alta velocidade, xinga, grita, saca uma arma ou pergunta se você quer levar um tiro – tudo isso sem necessidade – ele envia uma clara mensagem de que está despreparado para exercer bem e de modo confiante sua tarefa de proteger e ajudar o cidadão. Além do mais, perguntar para qualquer pessoa insuspeita se ela quer levar um tiro, demonstra o quanto é perigoso para alguém – e para outros policiais também – ser abordado nestas barreiras. Significa que o policial que faz uma pergunta desta natureza não sabe em que circunstância está autorizado a usar a força letal. Muitas pessoas não param nas blitze porque são surdas, não enxergaram o comando para parar, estão com medo, etc. Algumas vezes, estas operações são tão descoordenadas que um policial manda o motorista seguir, e outro manda o mesmo motorista parar.

E o terceiro fato, mas não menos importante, é que enquanto alguns policiais brigam entre si, todos perdem a capacidade de perceber quem é o verdadeiro inimigo. Você sabe que seu dever como policial é perigoso. As responsabilidades que acompanham sua tarefa são muitas: prisão e interrogatório de criminosos, investigação de situações e pessoas suspeitas (arrombamentos e roubos em andamento), atendimento às ocorrências de distúrbios (discussões entre familiares, brigas em bares, pessoas armadas e disparos em vias públicas), operações de inteligência (infiltração em ambientes hostis, vigilância e ações veladas), perseguições automotivas, barreiras policiais, trato com indivíduos mentalmente perturbados e custódia de prisioneiros, para citar algumas. Se isso não bastasse, muitos policiais tornam-se vítimas de emboscadas criminosas simplesmente por causa de suas escolhas profissionais. Pense nisto: enquanto policiais brigam, criminosos cavam túneis e fogem. Amanhã, eles estarão livres para matar alguém que você ama.

Portanto, o trabalho contra o crime e a apreensão em relação à sua segurança não podem eliminar sua habilidade de se adaptar às circunstâncias e sua capacidade para ser um profissional firme, porém cordial com o cidadão que precisa confiar em você. Ainda mais se este cidadão for um colega de trabalho que algum dia pode salvar sua vida.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Carregar e ficar pronto! Sua sobrevivência depende de três coisas!

Um policial à paisana caminha em direção a uma casa lotérica. Ele porta uma pistola que está carregada e pronta. Enquanto anda, o policial confere as contas que precisa pagar; ele entra na casa lotérica, e então alguém aponta uma arma para ele e anuncia o assalto.

Enquanto isso, outro policial sai do supermercado empurrando o carrinho de compras. Ele também porta uma pistola que está carregada, mas não pronta. Durante o trajeto até seu carro, este policial observa o ambiente à sua volta. A poucos metros do veículo, ele percebe a aproximação de dois suspeitos. Então, o policial precisa tomar uma decisão e agir.

Agora a pergunta: qual destes policiais está real e completamente pronto para o confronto? A resposta: nenhum. Mas, por quê?

Porque muito da capacidade para se estar a salvo depende de três fatores básicos. Estes três elementos formam um triângulo de autodefesa sustentável. Contudo, basta retirar um dos elementos para que o triângulo se desfaça. Os princípios da autodefesa são o estado de alerta, o preparo mental e a prontidão para reagir rápido e de modo eficaz. Então, uma análise superficial dos eventos mencionados mostra que embora os policiais possuíssem planos de autodefesa, ambos eram falhos, pois faltava um dos elementos. O primeiro policial estava pronto, porém desatento. O segundo estava alerta, mas incapaz de ser rápido o suficiente.

O estado de alerta é provavelmente o atributo mais importante que alguém pode possuir, pois é a capacidade de observar as pessoas e as situações visando à antecipação ao perigo que está à espreita. E quanto mais cedo você detecta e reconhece um problema em potencial, mais opções você tem para decidir como resolvê-lo. Apesar disso, algumas pessoas relatam que criminosos costumam surgir do nada. Mas a verdade é que as vítimas potenciais estão tão desatentas que são incapazes de perceber a presença e a aproximação dos suspeitos. Em outras ocasiões, a falta de atenção conduz você para situações perigosas. E até que você perceba o que está acontecendo, já não há muita esperança. É como se você estivesse caminhando e olhando para os pés, e quando olhasse para frente se deparasse com os becos de uma favela. Então, quão rápido você percebe o que está realmente ocorrendo? Como já disse em outro artigo, quanto mais atento você estiver, menor a sua chance de ser pego de surpresa.

O preparo mental surge da necessidade de não se cometer erros nas situações mais importantes e decisivas. Situações que fazem a diferença entre viver ou morrer. Como o nome já diz, o preparo mental é um treinamento prévio baseado na imaginação. Funciona, grosso modo, da seguinte maneira: um colega lhe conta uma história sobre outro policial que foi assassinado durante um assalto num cruzamento qualquer. E o que você faz? Você vivencia mentalmente esta história como se você fosse a vítima, mas analisando a ocorrência e reagindo de modo que sobreviva ao confronto. É como se você se perguntasse: “O que eu faria de diferente se fosse comigo?” Com este tipo de treinamento, sua mente diz ao corpo o que fazer. Mas, sem esta preparação antecipada, seu corpo hesitará – até mesmo para escapar. Na confusão, descrença e incerteza de uma agressão, você precisa forçar seu corpo para reagir a tempo. E é aí que entra o preparo mental, pois ele diminui o tempo de paralisia.

Você já pensou se seu modo de vida atual e o cuidado com a própria segurança permitem perceber a aproximação do suspeito? Será que sua mente está realmente preparada para ordenar que você saque sua arma daquele coldre barato que está debaixo da camisa, e então carregue e fique pronto antes de receber o primeiro tiro? Quando você imagina um confronto, você normalmente perde ou sobrevive?

Enquanto algumas pessoas escolhem não utilizar a força física como meio de autodefesa, outras não têm tanta delicadeza. Mas, cada uma das escolhas carrega responsabilidades e é preciso pensar e decidir sobre isso antes, e não no momento do confronto.

O terceiro elemento é frequentemente difícil de definir. Significa quão pronto você está para fazer o que tem que ser feito nos poucos segundos que lhe restam. É a capacidade para reagir rápido e de modo eficaz, sendo o esforço, a reação de último momento. Se a situação chegar a esse ponto, você está autorizado a fazer o que for necessário para impedir a ação criminosa.

Como policial, você deve saber quando usar ou não a força, pois mesmo a violência possui diferentes níveis. Sua reação não tem relação com uma disputa insignificante, mas tem relação em não ser ferido ou morto em função da violência. E se a reação é de último momento, então você deve carregar sua arma e ficar pronto – com “bala na agulha” – antes de sair de casa. Quando uma situação chega ao extremo e é hora de usar a força, você deve estar pronto, pois do contrário, o despreparo tomará de você aqueles segundos que você não pode se dar ao luxo de perder.

Alguns policiais acreditam tanto nas técnicas de “tiro israelense” – nas quais se saca a pistola enquanto a mesma é alimentada – que acabam apostando a própria vida na crença de que o tempo gasto para estar realmente pronto é muito curto. Contudo, este tempo não significa simplesmente aquilo que se gasta para carregar uma arma e ficar pronto. Tempo também inclui o período que levará para que sua reação tenha algum efeito, porque mesmo a força letal leva tempo para se manifestar. Assim, você consegue fazer o que precisa ser feito, já?

Não se esqueça que se você falhar em qualquer dos três elementos do triângulo, a chance é de que a pessoa caída no chão seja você.


domingo, 15 de março de 2009

Por que policiais portam armas?

No ano de 2007, durante um treinamento realizado na academia de polícia, eu e outro policial saímos do hotel onde estávamos hospedados e caminhamos até um restaurante. Durante o trajeto percebi, apesar da escuridão, que esse policial não portava uma arma de fogo. Assim, para confirmar minha observação, perguntei ao policial se ele estava armado. Ele me respondeu que não!

Parece incrível, mas muitos policiais acreditam que na atividade policial o porte de arma é algo opcional. Talvez esses policiais não queiram ou sequer pensem em ferir outro ser humano. Talvez eles acreditem que não integram uma força policial simplesmente porque trabalham em setores administrativos ou investigam crimes pela Internet, por exemplo. Talvez ainda, eles não queiram assumir a responsabilidade pela própria segurança e carregar o fardo das consequências de suas ações de autodefesa.

Infelizmente, esses policiais estão mais predispostos à complacência se comparados aos demais colegas de trabalho. Isso significa que esses policiais, que possivelmente nunca se envolveram em incidentes críticos no trabalho ou fora dele, se acostumaram com a segurança com a qual viveram até hoje, e por isso tendem a acreditar que jamais estarão envolvidos em ocorrências violentas. Acreditar que nada ruim vai acontecer e que sempre se estará a salvo, é o primeiro erro em qualquer estratégia de autodefesa, seja ela armada ou não. E para qualquer policial, o segundo erro é não portar uma arma de fogo. É como costumo dizer: é melhor ter uma arma e não precisar usá-la, do que precisar e não ter uma.

Certamente você conhece algum policial que não porta uma arma de fogo. Alguns argumentam que todo policial deveria ser capaz de escolher se porta ou não uma arma, ou seja, que isso é uma escolha pessoal. Afinal, se um policial desarmado morrer porque não está portando uma arma, o problema é dele.

A questão é que este argumento está errado.

Se alguém permite que um policial se coloque em perigo por não estar armado, outro policial pode ter que arriscar a própria vida para salvar a dele. Isso quer dizer que outros policiais podem morrer porque uma pessoa não quis portar a sua arma. E esta não é uma escolha que se possa fazer.

Surpreendentemente, este tipo de pensamento é encontrado entre alguns jovens alunos das academias de polícia, e também entre policiais mais antigos quando são enviados para os cursos de capacitação. A simples idéia de ter que ingressar em ambientes hostis para realizar prisões de criminosos perigosos preocupa qualquer policial. Muitos aproveitam ao máximo os treinamentos que recebem e se envolvem nestas operações de corpo e alma, mas alguns ainda argumentam que não está escrito no termo de posse ou no contracheque que eles devem entrar em ambientes designados “somente” para os grupos de ações táticas especiais.

Então, por que portar uma arma?

Policiais treinam e portam armas de fogo porque juraram salvar vidas, mas para que estas vidas inocentes sejam poupadas, algumas vezes o policial precisa empregar a força letal como única maneira de fazer uma pessoa violenta parar de cometer um ato abominável. E para isso, o policial precisa estar vivo também.

O objetivo é somente parar, e todo policial gostaria de ser capaz de parar um criminoso sem a possibilidade de matá-lo, no entanto, ainda não existe uma pistola Star Trek Phaser – que pode vaporizar o inimigo ou apenas deixá-lo inconsciente. Obviamente há uma variedade de instrumentos menos letais disponíveis para as situações nas quais é possível seu emprego, mas até agora o único meio concreto para um policial parar imediatamente um criminoso violento é a arma de fogo.

A arma de fogo é apenas uma ferramenta usada para fazer o criminoso parar. A arma nada mais é do que uma “broca sem fio lançada a distância com a ajuda de um produto químico”. Essas “brocas” vêm em diferentes calibres – pessoalmente eu gosto do 9 mm e do .45 ACP, mas todos atingem o mesmo objetivo. Este objetivo é criar um canal de ferida permanente por onde o sangue possa escoar para diminuir o fluxo sanguíneo, o que provocará a inconsciência e a incapacitação. No entanto, algumas vezes a vida do criminoso também escoa, porque sob certas circunstâncias parar requer a morte, mesmo que seja uma morte deliberada por um tiro na cabeça, se esta for a única opção para o policial. Em resumo, antes ele do que eu, um colega policial ou uma vítima inocente.

Desse modo, se um policial não está mentalmente preparado para atirar, ele não deve portar uma arma. E se ele não carrega uma arma, ele não pode ser e agir como um policial. A incapacidade de portar uma arma e ser responsável pela própria segurança, não torna este policial um profissional ruim – não há vergonha nisto. No entanto, eu sugiro outras carreiras no serviço público.

Disparar uma arma é antes de tudo um treinamento mental. Algum tipo de habilidade motora também é necessário, porém a perfeição requer um estado mental adequado. Parte deste estado mental significa certificar-se de que você é capaz de atirar em outro ser humano sob condições legais e morais apropriadas.

Portanto, é necessário um equilíbrio delicado entre a autoconfiança na capacidade de usar a força letal, se for preciso, e o desejo desenfreado de querer usar esta força. Este equilíbrio deve alcançar os novos alunos das academias de polícia quando treinados no uso da força letal, pois a polícia precisa de profissionais capazes de atirar sem hesitação, mas que preferem que isso nunca aconteça, tanto quando deve atingir aquelas pessoas que querem matar e vivem para ver este dia chegar. É preciso se livrar deste tipo de pessoa também.

Se um policial não quer exercitar sua mente e suas habilidades físicas para compreender e aplicar, quando preciso, o conceito do uso da força letal, ele não está realmente armado, mesmo que ele porte uma arma de fogo. E se ele não porta uma arma, ele simplesmente não serve para o trabalho policial.


quarta-feira, 4 de março de 2009

Faça algo antes que sua vida esteja em perigo!

Se alguém observar a atividade policial, verá que é um trabalho para poucas pessoas. Pense sobre isto: um homem entra em uma loja, saca uma arma, anuncia um assalto (que dá errado), faz reféns e diz que antes de morrer, vai matar o primeiro que aparecer. Um policial recebe esta chamada pelo rádio. E o que ele faz? Ele atende a ocorrência e se dirige às pressas para chegar ao local. Ele corre para chegar lá!

Não é difícil imaginar as pessoas empurrando umas as outras, procurando uma proteção e fugindo aterrorizadas. Em situações assim, essas pessoas têm a ideia certa, mas o policial não dispõe desse luxo. E apesar do medo e do estresse, ele corre contra a multidão em pânico, para chegar o mais próximo daquele que tentará matá-lo.

Desde o primeiro dia, o policial é informado de que o trabalho dele é ir onde está o problema. Quase tudo o que se aprende está relacionado com o perigo. Infelizmente, outra parte importante do treinamento carece do realismo necessário para fazer com que o policial compreenda, por exemplo, a estranha natureza dos confrontos armados. Mas isso é outro assunto!

De qualquer maneira, embora o policial aprenda maneiras de se aproximar do perigo, nunca lhe é ensinado um modo de fugir.

Mas, por que o policial corre para chegar lá, apesar do medo? Esse assunto é amplo e complexo, no entanto, o treinamento constante em técnicas coerentes com a realidade e o conhecimento sobre como o medo afeta o corpo e a mente podem ajudar você a se tornar mais rápido, mais forte e orientado para um objetivo. Assim, considere as seguintes sugestões antes que sua vida esteja em perigo:

Permaneça atualizado, o melhor possível, nas técnicas policiais e treine regularmente. Nunca perca a oportunidade de participar de treinamentos (táticas defensivas, de sobrevivência, armamento e tiro). Se a corporação não pode custear seu aprimoramento, você deve considerar pagar por isso.

Leia artigos, compre livros e não seja tão orgulhoso a ponto de não fazer perguntas e aprender com os policiais mais antigos, experientes e capacitados.

Avalie as informações relacionadas ao seu trabalho e pesquise por conta própria. Quanto mais você aprende, melhor exerce a sua atividade.

Observe o que você está fazendo na área da autodefesa e pergunte a si mesmo se o seu treinamento está coerente com a realidade. Seu treinamento deve simular situações reais, pois a experiência “real” constrói e aumenta a confiança, reduzindo a “novidade” do trabalho diário.

Compreenda as motivações para o fenômeno de luta ou fuga. O medo não é um tipo de neurose que precisa ser eliminada. É uma importante emoção utilizada pela natureza para informar a você que sua vida está em perigo e que é hora de tomar uma atitude. Para ajudá-lo a agir, o medo produz uma mudança química que lhe dá uma margem de sobrevivência, compelindo-o a instintivamente fazer uma de três coisas para salvar sua vida: lutar, fugir ou obedecer.

Luta – Quando se está lutando pela própria vida, a natureza não espera que você siga regras; ela programou o homem para aniquilar a ameaça da maneira que ele puder. Diante de uma ameaça a vida, muitas pessoas encontram força e ferocidade que jamais imaginam ter. Entretanto, você pode lutar e até usar a força letal com o propósito de se defender, mas deve reagir com controle da situação e de si mesmo com o objetivo de cessar agressão. Isso não é uma tarefa fácil quando alguém está tentando matá-lo.

Fuga – Toda criança sabe como fugir do quarto quando ouve aquele barulho estranho que faz o coração disparar. Ela vai de encontro a tudo que há à sua frente, não importando os possíveis ferimentos, e não para até chegar ao quarto dos pais. Isso não foi ensinado, mas aprendido instintivamente. Mas, a fuga nem sempre é uma opção, pois você fez um juramento e recebe seu salário para ir até onde está o perigo (a retirada em busca de proteção não é considerada como fuga).

Obediência – Quando não se pode lutar ou fugir, mais uma vez a natureza vem em socorro com um terceiro modo de sobrevivência. Por exemplo, nos Estados Unidos, quando um urso cinzento ataca alguém, enfrentá-lo não é uma opção, nem fugir, uma vez que o urso é mais rápido. Assim, os guardas florestais orientam os visitantes dos parques ecológicos a ficarem imóveis e se fingirem de mortos, para que o urso fique entediado e procure uma presa viva. A menos que você trabalhe com ursos cinzentos, como policial, a obediência raramente é uma boa opção.

Avalie as situações de risco ocorridas no passado tanto quanto o que você fez de certo ou errado e o que precisa ser melhorado. Rever suas ações é uma ferramenta poderosa para o aprendizado, dando a você a confiança para enfrentar outro incidente crítico.

Entenda que mesmo que outro policial tenha feito algo que funcionou, ainda podem existir opções que funcionariam melhor. O melhor colega é aquele com quem você pode discutir os incidentes vivenciados, mesmo que para isso você tenha que demonstrar sua fraqueza.

Entenda e aceite a possibilidade de que você tenha que usar a força letal. É importante considerar o que seria disparar sua arma contra o corpo de uma pessoa e vê-la desabar sem vida como resultado daquilo que você fez.

Conheça as tendências do crime e dos criminosos na cidade onde vive. Quanto mais sintonizado com aquilo que acontece a sua volta, menor sua chance ser pego de surpresa.

Faça um esforço para permanecer em alerta. Isso também reduz a possibilidade de você ser pego de surpresa. Quando você está com “a cabeça no mundo da lua” e é empurrado de repente para uma situação arriscada, existe uma grande chance de que você, assustado e incapaz de entender o que está acontecendo, “congele”. O estado de alerta mantém você concentrado no trabalho, mesmo durante os períodos de tédio.

Confie na sua intuição porque é o acúmulo de conhecimentos a partir de sua experiência de vida e que está trabalhando para você de modo inconsciente.

Acredite na missão. Se você não acreditar na missão para a qual foi indicado, ou se os riscos ultrapassam os benefícios para você ou para a sociedade, então você será complacente e hesitará durante o confronto, e aquele que acha que nada vai acontecer ou hesita nessa circunstância, normalmente perde a vida.

Mantenha-se em forma. Um bom preparo físico melhora sua autoestima e o ajuda nas situações onde a força física prolongará sua resistência para continuar lutando.

Desenvolva um forte desejo de sobreviver em qualquer tipo de situação. Existem relatos sobre policiais e criminosos que foram gravemente feridos e apesar de tudo continuaram a lutar. Essas pessoas tinham um intenso desejo de sobreviver e foi o que fizeram, embora em muitos casos tenham sido atingidas várias vezes. Passe seu tempo livre dizendo a si mesmo que sobreviverá não importa quão ferido esteja, e que não desistirá até que tenha vencido o confronto.

Pratique o treinamento mental. Esse treinamento é uma atividade que não exige esforço físico. Você pode desenvolvê-lo enquanto dirige a viatura ou está em casa. Basta imaginar uma briga num bar ou um roubo em andamento, e como você responderia a essas ocorrências. Visualize um caso real, coloque-se no lugar do policial que atendeu a ocorrência e imagine sua reação visando sua sobrevivência.

Como a mente não consegue facilmente diferenciar a fantasia da realidade, o treinamento mental é uma ferramenta eficaz, sempre disponível e com a qual você pode “vivenciar” situações perigosas sem se expor aos riscos de um confronto real.

Lembre-se, a vida de uma pessoa é considerada o bem mais precioso. Muitas das leis e condutas morais estão fundamentadas na autoproteção e na preservação do ser humano contra graves ferimentos e a morte. No entanto, em uma situação de legítima defesa, você pode ter que ferir ou mesmo matar outro ser humano (o agressor).

Por fim, saiba que no combate não há lugar para considerações pessoais ou religiosas. É preciso concentração na tarefa e nada mais. Se isso não for feito, você estará em perigo.

domingo, 1 de março de 2009

Um ferimento nem sempre significa a morte!

Como já se sabe, a atividade policial é perigosa por natureza. E como a Lei de Murphy é frequentemente uma companheira do trabalho policial, você precisa se preparar para as eventualidades, inclusive a de ser ferido num tiroteio. Então, se algum dia você for ferido, as seguintes dicas podem ajudar:

Termine o confronto! Isso parece óbvio, mas muitos policiais param de lutar simplesmente porque acham que foram feridos. Ser atingido é sempre uma possibilidade, mas essa não é a hora para você desistir. Confirme se o criminoso não é mais uma ameaça. Se ele fugiu, fique onde está. Se ele caiu, observe-o (com sua arma apontada para ele). Se ele ainda se move e representa um ameaça, continue atirando – faça na medida do necessário até que a ameaça seja interrompida.

Fique alerta! Criminosos comumente atacam em bando, por isso fique atento à presença de comparsas. Verifique sua arma – sane as panes e faça a recarga por precaução. Em situações de estresse, ocorre a diminuição da irrigação sanguínea originando a hipoxia retiniana (deficiência de oxigênio nos tecidos orgânicos), o que leva ao encurtamento do campo visual de fora para dentro (perda da visão periférica). Isso é Visão em Túnel. Olhe à sua volta, escaneando o ambiente, para compensar a diminuição do seu campo visual.

Proteja-se! Vá para uma posição barricada se você não fez isso antes. Não coldreie sua arma, apenas proteja-se. Posições protegidas funcionam como um grande colete balístico capaz de oferecer proteção para todo o corpo.

Peça ajuda! Respire fundo algumas vezes, chame pelo rádio HT ou telefone celular de modo simples e direto. Diga seu posto, nome, o local onde está e que foi ferido. Esqueça os códigos e os protocolos de comunicação (código Q, por exemplo), apenas forneça informações vitais de maneira clara. Não perca tempo falando com pessoas que não podem ajudar, ligue somente para o serviço de atendimento de urgência. Confirme se o atendente entendeu as informações. A ajuda já está a caminho, então esqueça o HT e volte sua atenção para a ocorrência.

Avalie seu estado! Se você estiver usando um colete balístico, os impactos nele provocam muita dor, mas são apenas hematomas. Sem o colete, os ferimentos são mais sérios – ache-os rápido. Ferimentos nos músculos podem não doer tanto e, às vezes, não sangram muito devido à vasoconstrição provocada pelo estresse. Se o ferimento doer demais, provavelmente algum osso foi quebrado – mas se calcificarão. Ferimentos na cabeça sangram em abundância, mas se você está consciente o suficiente para notar o sangramento, então o ferimento talvez não seja uma ameaça imediata. Contudo, o impacto grave de um projétil na cabeça deixará você inconsciente.

Faça os primeiros socorros você mesmo! À medida que você se acalma, o sangramento tende a aumentar, assim pressione o ferimento o máximo que puder. Utilize suas mãos, sua camisa ou um lenço – improvise. Você tem aproximadamente cinco litros de sangue no seu corpo. Você pode perder cerca de 20% disso e ainda permanecer consciente. Isso dá quase um litro de sangue, então derrame o conteúdo de uma embalagem Tetra Pak para você ter uma idéia do tamanho da poça que isso representa. Portanto, se você não sangrou esse tanto, você ainda está bem. Caso contrário adicione mais compressas ao ferimento e comprima bem.

Realize a respiração tática ou de combate! Inspire lenta e profundamente pelo nariz, e expire lenta e profundamente pela boca. Isso vai oxigenar seu cérebro e dificultar o desmaio. Continue alerta! Peça ajuda novamente, e forneça dados complementares sobre sua localização.

Acredite que o socorro está chegando e não desista! Quando um policial é ferido, todos os outros policiais correm até o local do incidente. Primeiro para prestar auxílio ao colega baleado, e segundo para iniciar a perseguição. As unidades de resgate provavelmente estarão no local em poucos minutos. Por isso, enquanto aguarda, lembre-se que se você ainda estiver vivo quando o resgate chegar, suas chances de sobrevivência são de aproximadamente 90%. Mantenha a respiração tática para “normalizar” os batimentos cardíacos e o nível de estresse. Para manter suas esperanças e seu moral elevado, converse pelo rádio com outro colega.

Compreendendo essas dicas e as revendo periodicamente, você pode lutar contra o medo e o estresse aumentando sua probabilidade de sobreviver à situação de conflito na qual você foi ferido.

Este é um procedimento que você deve treinar por conta própria, porque até agora nenhum treinamento de tiro inclui instruções para quando se leva um tiro ou se perde um confronto, e infelizmente muitos policiais tendem a pensar que isso nunca vai acontecer. Mas isso acontece e muito! Por isso, treine com sua arma, estude ou faça um curso de primeiros socorros porque isso pode e irá ajudá-lo um dia.