sexta-feira, 25 de maio de 2018

A dor (trecho do livro Sobrevivência Policial)




A DOR é um sinal de alerta para chamar a atenção para um ferimento ou mau funcionamento em alguma parte do corpo. Apesar de desconfortável, a dor, por si só, não é prejudicial ou perigosa. Numa situação extremamente grave, a dor pode, inclusive, não ser sentida. Entretanto a sobrevivência do policial DEVE TER PRIORIDADE SOBRE SEU ÍMPETO DE CEDER À DOR.

A função biológica da dor é proteger uma parte do corpo lesionada, alertando o indivíduo para que descanse ou evite usar aquela parte do corpo. Em uma situação de sobrevivência, os avisos normais de dor podem ser ignorados, a fim de que sejam atendidas outras necessidades mais importantes. Não são raros os casos de pessoas que lutaram mesmo com a mão fraturada; que fugiram correndo com um tornozelo torcido ou quebrado ou que ignoraram a dor durante períodos de raiva, intensa concentração e esforço determinado. Tanto a concentração quanto o esforço intenso podem, na verdade, parar ou reduzir a sensação de dor.

Assim, o policial deve compreender as questões relacionadas com a dor. E apesar de senti-la, ele deve seguir em frente se pretende continuar vivo. A dor pode ser reduzida pela compreensão de sua natureza e origem; reconhecendo-a como um desconforto a ser tolerado; concentrando-se nas necessidades da ocorrência, tais como: observar, planejar, decidir e agir. Quando as metas pessoais são muito valorizadas, um sobrevivente pode tolerar quase tudo.

O medo e a dor podem ser tolerados se a vontade de seguir em frente for mais forte.

A decisão de que esse é o caminho a ser percorrido abre as portas para o aprimoramento por meio da capacitação qualificada. Quanto mais rusticidade e habilidades o policial possui, maior sua resistência em um evento de risco. É importante ter confiança na capacidade profissional se o policial pretende superar o medo em um conflito. Além do mais, se um policial não tem confiança em uma técnica específica, tentar usá-la pode deixá-lo vulnerável. Por essa razão, os policiais devem exercitar os fundamentos básicos com a maior competência possível para, só depois, avançarem nos treinos mais complexos.

Numa operação de repressão ao tráfico de drogas, agentes federais entraram em um bar onde se escondia o chefe da quadrilha. Ao perceber que seria preso, o criminoso disparou diversas vezes contra o policial que estava na frente dos demais. O policial reagiu e os dois (policial e traficante) continuaram a disparar suas armas enquanto o primeiro seguia em frente e se aproximava. Mesmo atingido cinco vezes, o policial saltou o balcão do bar, agarrou o traficante e realizou seu último disparo. O criminoso morreu, mas o agente da Polícia Federal sobreviveu e continua na ativa. (Brasília/DF).

Esse evento revela como a concentração, o forte desejo de completar a tarefa, a vontade de sobreviver e a raiva impediram que o policial cedesse ao primeiro impulso de dor ou ao medo de ser ferido ou morto. Certamente, esse exemplo reflete uma resposta prática de alguém com uma mentalidade combativa. 

Finalmente, um policial atingido jamais deve sucumbir à dor do impacto de um projétil no colete balístico que ele utiliza. Qualquer distração pode desviar o foco do policial para a necessidade de continuar no confronto e eliminar o agressor.

Humberto Wendling é Agente Especial, Professor de Armamento e Tiro da Polícia Federal e autor dos livros Autodefesa Contra o Crime e a Violência – Um guia para civis e policiais e Sobrevivência Policial – Morrer não faz parte do plano.
E-mail: humberto.wendling@gmail.com
Blog: www.comunidadepolicial.blogspot.com
Livros: www.clubedeautores.com.br
Canal no YouTube: Humberto Wendling
Instagram: @humberto.wendling

Foto e vídeo:http://www.ntd.tv/2017/12/21/video-captures-police-officer-struggling-to-make-tough-arrest-as-onlookers-step-in/

https://www.clubedeautores.com.br/book/250806--Sobrevivencia_policial#.WwjKWYoh2Uk

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