segunda-feira, 2 de abril de 2012

Bons homens deixam boas lembranças.

Decerto cada um de nós possui a capacidade de mudar a vida de outras pessoas. Nos extremos, há os homens que melhoram apenas a si mesmos (o que já requer forte empenho e vigilância) e os que transformam a história de milhares de pessoas. E entre um ponto e outro existem aquelas pessoas dispostas a ajudar, mesmo sem considerar que isso pode fazer toda diferença.

E enquanto existem aqueles que têm o poder, mas não sonham nem são capazes de transformar aquilo que os rodeia, há, felizmente, os visionários que abnegadamente promovem o bem estar, a justiça, o reconhecimento, o auxílio e a motivação outrora perdida. Ao passo que uns homens fecham portas a tudo e a todos, outros as mantêm abertas. Aliás, é o que lembra a frase: “Quando o anfitrião é amigo, a casa é amiga!” E num ambiente de harmonia e satisfação sinceras só há espaço para a prosperidade. Noutros casos, o que se espera é o egoísmo e a deslealdade, pilares da decadência.

Conquanto o ser humano seja capaz de oferecer o pior ou o melhor de si, de segregar ou unir, de tirar ou oferecer, de abandonar ou instruir; de destruir aspirações ou colaborar para suas conquistas; ainda existem aqueles capazes de trabalhar vislumbrando o melhor indistintamente.

Mas que lição ou lembrança um policial pode deixar? Que é importante receber honrarias, diplomas, homenagens e títulos? Que é importante buscar o poder absoluto sobre as pessoas e as coisas? Que uma ordem conquista uma reverência? Que é preciso ser tratado por pronomes nobres? Que é necessário fazer parte de congregações ou sociedades?

Talvez, por uma lógica estranha aos nossos olhos e incompreensível à nossa inteligência limitada, queira Deus que esses homens (muitos nas galerias de heróis mundo afora) não permaneçam em lugar tão impróprio à união e ao progresso, e os convide ao plano mais elevado onde vivem outras estirpes de homens.

Talvez por isso, em 08 de abril de 2011, uma força irresistível tenha levado mais um policial, o Delegado de Polícia Federal Júlio César Domingues Bortolato (41 anos), que mostrou simplicidade, apesar das honrarias e dos títulos; que se propôs melhorar a vida das pessoas e ser leal, embora tivesse poder sobre elas; que conquistou reverências sinceras, apenas pelo respeito recíproco; que mesmo tendo feito parte de corporações ou sociedades, pretendeu o bem comum daqueles que estavam ombro a ombro, promovendo a união e o entendimento ao invés da discórdia.

André Luiz, no livro Nosso Lar, disse:

“Uma existência é um ato.
Um corpo - uma veste.
Um século - um dia.
Um serviço - uma experiência.
Um triunfo - uma aquisição.
Uma morte - um sopro renovador.
Quantas existências, quantos corpos, quantos séculos, quantos serviços, quantos triunfos, quantas mortes necessitamos ainda?” (Nosso Lar, 1944, p. 12).

Então, quanto tempo precisaremos para compreender e praticar os ensinamentos desses homens? Devemos pensar nisso agora, pois amanhã pode ser tarde demais!

Foto: Humberto Wendling, 2008. DPF Júlio durante treinamento de tiro.

Humberto Wendling é Agente de Polícia Federal lotado na Delegacia de Polícia Federal em Uberlândia/MG.
Twitter: twitter.com/HumbertoWendlin

3 comentários:

  1. HUMBERTO, SEMPRE ENTRO NESTE BLOG, PROCURANDO TEXTOS PARA REFLETIR A RESPEITO DA PROFISSÃO QUE PRETENDO EXERCER. ESTOU ESTUDANDO PARA ESTE CONCURSO DE AGENTE, FAÇA UM TÓPICO COM COMENTÁRIOS SOBRE A P.F.
    ABRAÇO!
    DAVID

    ResponderExcluir
  2. Parabéns Humberto pela homenagem ao Delegado em questão. O respeito adquire-se pelas nossas atitudes, ele não pode ser imposto por cargos ou patentes. Pena que nas instituições policiais pelo Brasil afora isto não seja valorizado. Buscar o bem do próximo é buscar o seu próprio bem. Seria tão melhor se as pessoas conseguissem compreender isto...

    ResponderExcluir
  3. Olá Humberto,
    Hoje, somente hoje, vi a singela e sincera homenagem que prestou ao Júlio. Fiquei muito feliz e honrada.
    Acredito que todos os seres humanos têm o poder de mudar o mundo com o dom que Deus atribuiu a cada um de nós.
    Buscar essa conexão é algo que compete a cada um de nós.
    Que vc continue levando a amizade, o afeto, o companheirismo e a união nos ambientes em que atua.
    Parabéns!
    Att,
    Patrícia

    ResponderExcluir